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9.8.04



Aventuras em Cuiabá (Parte 2)

Segundo dia em Cuiabá

E depois do agradável despertar relatado alguns posts atrás, com um frio de dez graus em Cuiabá e um sorriso encantador no colchonete vizinho, começou meu segundo dia em Cuiabá.

Eu já disse que nós estávamos alojados em um colégio público, dormindo nas salas de aula. Pois bem, nenhum colégio público tem chuveiros suficientes para cento e cinqüenta pessoas, e eu compreendo a necessidade das instalações hidráulicas improvisadas.

Mas imaginem: dez graus de temperatura, uma cidade desconhecida, você entra em um banheiro de colégio público, lê todas aquelas coisas nada românticas escritas nas portas, e percebe que o chuveiro está exatamente acima da privada. Foi muito, muito estranho – e a água estava glacial.

O Menino-com-cara-da-Artista era tão fofo que pegou dois pães no café da manhã – um pra mim, um pra ele. E conversou comigo enquanto eu penteava o meu cabelo selvagem. E conversou comigo enquanto eu me vestia. E eu estava sentada no chão, arrumando a minha bagunça infindável, quando ele se inclinou e me deu um beijo de cabeça pra baixo.

Eu – Como assim, Homem-Aranha?
Menino-com-cara-de-Artista – O que você quiser.

E saiu do "quarto"... Eu estava contente, mas de repente senti o calor, as orelhas queimando e o rosto vermelho, e foi quando eu notei que o "quarto" estava cheio de gente, e todos eram da Universidade dele!
Fiquei meio envergonhada, mas era tão bom ser "assumida em público" ! Quatro carinhas com quem eu tinha ficado tinham namorada, e sempre eu que tinha de me esconder dos outros.

***********
Momento Pulga trás da orelha
Pera aí, e quem me garante que ele não tem namorada?

***********
O alojamento onde a gente ficou era muuuuuuuito, muito longe da Universidade Federal do Mato Grosso, doravante UFMT.
Os grupos que estavam lá tinham viajado de ônibus, fretado pela Universidade de cada um. E eles usavam o mesmo ônibus pra se deslocar pela cidade.
E a coitada da Menina-Prodígio, que tinha ido de avião? Tive de me virar pra conseguir carona. O pessoal do Pará era a opção natural – eu estava dormindo no mesmo "quarto" que eles, nós éramos do Norte e não temíamos a morte, e também, obviamente, tinha o Menino-com-cara-de-Artista.

***********
No ônibus

O papo rolava tão fácil, tão gostoso... O problema era a pulga pulando atrás da minha orelha.

-Menino-com-cara-de-Artista...
- Fala, Menina-Prodígio.
-(respirando fundo pra criar coragem e perguntar) Eu tenho uma pergunta pra te fazer...
-(Meio preocupado) O que foi? Tem algo errado?
-(Natural, como quem pergunta as horas) Tu tem namorada?
-(Natural, como quem diz as horas) Tenho.

*silêncio*

Pensamento: Tudo bem, agora são cinco caras com namorada. Será que é o meu destino?

-E os caras da faculdade não conhecem a tua namorada?
-Só quem conhece é o pessoal do meu curso.
-Tu não tem medo que eles contem pra ela da Amazonense em Cuiabá?
-Não, porque assim que eu chegar em Belém, EU vou contar pra ela.
-(Choque) Vai?

Pensamento : E se eu não quiser que ela saiba?

Ele – Que foi, não quer que eu conte?
Eu – (Disfarçando o choque) Imagina, tu tem mais é que ser sincero. Tão raro, isso.
Ele – Quando ela soube que eu ia viajar, falou pra mim : "Olha, eu sei que tu não és santo, vai ter um monte de menina lá...Eu só quero que tu me conte tudo o que tu fizeres."
Eu – Ela disse isso?
Ele – Disse...
Eu – "Como eu sei que tu não és santo..."

E eu achei tão bizarro, a própria namorada dizer isso pro cara, que eu tive uma crise da minha risada.
E quem me conhece sabe que a minha risada é uma coisa, no mínimo, GRANDE. Alta. Torácica. Chamativa. Livre. E principalmente, mas principalmente mesmo, sincera. Muita gente se assusta quando eu rio, e me critica. Ah, mas eu sou tão feliz rindo alto! Eu sou tão EU MESMA rindo alto!

*
Ah... (suspiro) e ele riu junto comigo. Livre, solto. LINDO, ah, e como.
*

- Quer dizer que[ha,ha,ha,ha] você não é santo?
- [ha,ha,ha,ha] Foi ela quem disse!

Concordo com Isaac Asimov, quando disse, em um de seus contos, que alguém deveria erguer um monumento pro sujeito que inventou o beijo. Concordo P.L.E.N.A.M.E.N.T.E.

*********************

Grupo de trabalho = GT = Já que não podemos juntar oitocentas pessoas ao redor de uma mesa, vamos dividir em grupos menores pra vocês se sentirem à vontade e debater bastante.
Coordenadora do GT – Alguém quer ser o relator?
*silêncio*
Coordenadora – O relator vai tomar nota de tudo o que for dito, para se fazer um resumo depois...
Eu – Posso ser eu? Eu escrevo rápido...
Coordenadora – E qual o seu nome?
Eu - Menina-Prodígio, Administração, Amazonas...
Coordenadora – Amazonas, hum! Demorou muito pra chegar aqui?
Eu – Nove horas de avião!

Reação do grupo : Nossa, avião! Rica, hein?

Eu- A Universidade não ajudou em nada. O meu grupo teve de vender até cachorro-quente pra comprar essa passagem.

Reação do grupo : Nossa, que ralação!

****************
Na hora do almoço, eu me perdi do "meu" paraense. Mas, como não nasci grudada com ninguém, fui almoçar no restaurante Universitário de lá, participei da Reunião dos representantes da Executiva, sentei do lado de uma moça que faz Direito na USP, e constatei que ela existia – gente, ela existia!
Quando eu voltei pra minha sala do GT, depois do almoço, o Menino-com-cara-de-Artista me olhou e sorriu (Ai, meu Deus, ele sorriu, e o meu coração ficou ali naquele sorriso).

- Ei, Menina-Prodígio, eu te procurei pra almoçar, mas tu sumiste...Senti saudade.
-(Pensando apenas) Por favor, não seja tão perfeito assim... (Falando alto) Por favor, não seja tão perfeito assim...

Pensamento: eu falei isso alto?

- Perfeito, eu? Se tu convivesses comigo mais quatro dias, ias me detestar, eu sou tão chato...
- Olha só, além de ser do teatro, ser inteligente, gostar de Chico Buarque e tocar violão, ainda é modesto, viu?

O dia todo passou assim, de GT em GT. O Menino-com-cara-de-Artista estava ao meu lado no Grupo de trabalho. E o mais engraçado é que a gente não ficava o tempo todo naquele grude, ou naquele climinha clichê. Eu sou um espírito muito livre, e –Oh, meu Deus – acho que ele também gosta dessa independência.

****************
Esse post já tá muito grande. Fiquem com as cenas do próximo capítulo:

*Tem início a reunião interminável da Executiva. Mas não tem fim previsto!
*O pessoal de Brasília é gente fina. E olha só, no meio do pessoal de Brasília tem um paraense!
*A segunda noite em Cuiabá também é fria... Mas isso depende da sua fonte de calor!


Aguardem por novidades!

P.S.: Eu agora tenho dezenove anos! Nem doeu ficar mais velha!


Menina Prodígio se aventurou aqui às 4:42 PM


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Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

Todo dia uma aventura nova. Toda semana uma odisséia. De vez em quando uma atualização


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Fonte: Anvörg


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