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29.11.04



Tempo, tempo, mano velho...Falta um tempo ainda, eu sei, pra você correr facinho...

Advertência: esse post dá voltas no passado e no futuro; não diga que eu não avisei.

*********************

Eu sentada, ele sentado na minha frente.

Eu - Acabou então?
Ele - Acabou há muito tempo.
Eu (chorando) - Só me diz uma coisa: em algum momento tu sentiste entusiasmo nessa relação? Aposto que tu nunca se esforçou pra acender essa fogueira.
Ele - É verdade. - e foi embora.

Eu fiquei sozinha, chorando na pracinha da Faculdade.
No outro dia eu chorei. Mais outro dia, eu estava rindo - e vi que ele tinha mesmo razão, nunca existiu nada naquela relação.

Eu e ele somos grandes amigos.

************************

Ele me respeitando.
Eu torcendo pra que ele desrespeitasse.

Eu - Olha, eu preciso te falar uma coisa.
Ele - ?
Eu - EU tô com vontade. E...
Ele - (pausa) Eu também.
Eu - ...e eu acho que você também.Mas se eu voltar atrás, você fica chateado?
Ele - Não. Sempre são as mulheres que decidem mesmo!

Acabou não acontecendo.

*************************

Ele - Esse é que é o meu castelo...
Eu - Bonitinha sua casa. Obrigada por me trazer aqui.

Ele me abraçou. Solidão a dois.

Ele - Meu amor (como foi doce...), meu amor...você tá tremendo...Por quê?
Eu - É frio...são duas da manhã, tá serenando.

Na verdade era medo. Se bem que estava mesmo serenando.

***********************

Duas pessoas recuperando o fôlego.

Ele - Pode ser aqui mesmo?
Eu - Que tal a gente ir pra...outro lugar?
Ele - Era o que eu tava esperando ouvir.

*******************

Ele - Por favor, a gente termina rapidinho...
Eu - (ofendida) Mas eu não quero que seja rapidinho.
Ele - (irritado) Então goza sozinha, meu amor. (Como foi rude!)
Eu - Vou mesmo! E faço melhor que você. (indo embora)

Oh, sim, eu sei que fui cruel. Mas eu era mesmo muito melhor que ele... ele fedia.

********************
Ele - Que tal a gente ir pra...outro lugar?
Eu - (medo) Não, não precisa. Quer dizer, eu acho melhor não. E tira essa mão daí!
Ele - (rindo) Ah, meu Deus...
Eu - E tu ainda ri, cachorro... Daqui a pouco você volta pro seu lugar e eu pro meu.
Ele - Não é muito longe.
Eu - Quatro dias de viagem de barco... (Pausa) Eu já sei no que isso vai dar.
Ele - O quê?
Eu - Nós dois. Você volta pra sua cidade, volta pra ela, e eu vou ser só uma menina engraçada que ficou pra trás. (Pensamento : E nunca mais você fala comigo de novo.)

Ele - (Apertando o meu braço com força) Talvez volte pra ela, mas acho meio difícil. Talvez você fique pra trás, como talvez eu fique pra trás também na sua vida. Mas você não é só uma menina engraçada. Você me marcou fundo.

Ele me beijou devagar.

Ele - E eu poderia conversar contigo pra sempre.

O meu coração tropeçou e caiu de joelhos na frente dele.

(Ah, e depois eu vi que estava errada. Ele não voltou pra ela, eu não fiquei pra trás, e a gente se fala sempre. Estamos até planejando encarar quatro dias de barco.)

**************************

Ele - Sabia que eu não sabia que tu tinha joelho?
Eu - Como?
Ele - É a primeira vez que eu te vejo usando saia curta. (sorriso canalha) Tá linda...parece que tu só usa calça comprida.
Eu - Filho da mãe. (Pausa) Eu gosto de usar saia, acho bonito. O grande problema é que pra usar saia tem que depilar, e eu sou alérgica...Só eu sei o que eu vou sentir amanhã.
Ele - Tadinha...Mas ficou muito bom, devia fazer mais vezes.
Eu - Tu ESCUTOU a parte em que eu falei da alergia?
Ele - (Sorriso canalha)
Eu - A vantagem da gente ser amigo é que dá pra contar essas coisas. Nunca eu falaria isso pra um namorado. A outra vantagem da gente sair junto é que todo mundo pensa que a gente é um casal.
Ele - Mas a gente é um casal.
Eu - Tu entendeu, não entendeu? Ninguém vai ficar dando em cima de mim, tô acompanhada. Ele - Nem te conto que tem um cara ali na outra mesa que tá te encarando.
Eu - Vai lá e bate nele. A gente não é um casal?

Adoro amigos homens, adoro.

*****************************
Eu sozinha, de madrugada. Rolando na cama, sem achar sono. Me concentrei na saudade de quem tá longe, depois nos trabalhos da faculdade, depois no último livro que eu li. Não sei ao certo como, começou a passar na mente uma série de flash-backs de momentos meus ligados ao desejo. Várias coisas, vários chãos em que eu rolei, várias vezes em que eu disse não, poucas vezes em que eu disse sim. Vezes em que eu disse sim querendo dizer não. Medo do novo, medo da rotina. Prazer e carinho, dor e indiferença.

Não entendi o que tava acontecendo. Cenas minhas - que foram minhas e deles, mas das quais só tenho a minha versão - rolavam na minha cabeça. Dias (noites) que eu achava ter esquecido, voltavam com detalhes.

Eu sentia o tempo passando, sabia que tinha de acordar cedo no outro dia, mas a fúria dos pensamentos - e a intensidade dos sentimentos a eles vinculados - me deixavam acordada; até fechar os olhos era penoso.

Várias vezes tentei rezar, mas o pensamento voltava a se fixar em cenas, hum, impróprias. Algumas reais, acontecidas no passado; outras possíveis, planejadas para o futuro.

Fui cair no sono mais ou menos às três e quarenta da manhã. E quando eu estava quase adormecendo, notei qual o motivo da insônia. Tesão. Pra mim, que achava já ter virado essa página, constatar isso foi, no mínimo, reanimador.

****************************

Eu - ...e eu quero muito que seja contigo.
Ele - Como surgiu essa certeza?
Eu - Eu sinto. Eu já tô esperando faz um tempo, já bateu a certeza faz uns dias. Acho que aqueles receios todos acabaram.
Ele - Então vambora.
Eu - COMO?
Ele - Vambora. Não é pra ser comigo? Eu tenho cinco horas antes do curso. É melhor a gente sair logo pra aproveitar mais.
Eu - ...agora?
Ele - Você acabou de me dizer que tem certeza que já tá na hora. Vamo agora então, pô.
Eu - (chocada) ... não, a gente não vai. (nó na garganta)
Ele - E porque não?
Eu - ...por que eu tô cheia de dúvidas e morrendo de medo.
Ele - Meu beija-flor... Eu tava testando até onde ia essa certeza. Viu como ainda não tá na hora? Que espécie de cafajeste eu ia ser se te levasse a fazer algo tão importante sentindo tanto medo? Já notou que você tá trêmula de pavor?
Eu - Obrigada, mas por favor, não fala mais comigo desse jeito.

Ainda bem que foi com ele. SETE MESES DEPOIS DESSE PAPO. Eu tinha 18 anos.

E eu ainda tinha medo e dúvida.

********************************

Foram duas horas maravilhosas no quarto dele. Eu tinha quatorze anos, e tudo era muito novo.

A gente se abraçou, eram seis da tarde, a luz do sol diminuindo.

Ele (exausto)- Menina-Prodígio?
Eu (exausta)- Hum?
Ele - Eu te amo.
Eu - !

****************************

Meninas conversando no tempo entre uma aula e outra.

-Sabe aquele bonitinho que eu contei pra vocês? A gente ficou na sexta. No sábado ele me telefonou, a gente conversou um tempão.
-Poxa, faz tanto tempo que eu não beijo na boca...Você bem que podiam providenciar alguém pra me apresentar, né?
-E tu, Menina-Prodígio, não parou de rir desde que chegou. Beijou muito no fim de semana?
Eu - Recebi carta de Belém...Hoje nada de mal me atinge... (Abraçando o envelope)

E saí deslizando pelo Campus.

*****************************

Ele - Gata, você está deixando César (1) louco!
Eu - ....AHAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUHAUHAUHA UHAUAHAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUH...Arf, arf, hauhauahauhauhauhauhauh auauahuahauhauhauhuah..

Passei dez minutos rindo. Depois dessa, não dava pra rolar mais NADA!


(1) César é um nome fictício, que eu tirei de uma história similar que li por aí. Mas ele realmente falava de si na terceira pessoa... Esquizofrenia pouca é bobagem...

*************************

Eu - Foi muito bom...
Ele - Foi.
Eu - Ficou chateado por não ter rolado?
Ele - Não...Eu sabia que tava ficando tarde.
Eu - Quem sabe outro dia?
Ele - Como?
Eu - É uma promessa.
Ele - Estamos aí...

*****************************

Eu sou equivalente aos patins de uma cobra quando o assunto é quilometragem. A experiência não é muita.

Mas papai do Céu sempre me ajudou, e os eles que passaram (e passam ainda - quem sabe um dia aparece um ele que fique?) eram todos gente finíssima. Nenhum brutamontes, nenhum tapado, alguns apressadinhos.

A minha situação nesse aspecto da vida é paradoxal. Ao mesmo tempo que tenho idéias sobre liberdade individual e uma visão meio bicho-grilo do "cada um na sua", sou cerceada por séculos de tabus e medos (não sei se deu pra notar a quantidade de vezes que a palavra medo apareceu lá em cima. )

Mas tudo bem, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. E eu perdi o meu medo da chuva, pois a chuva ao cair sobre a terra traz coisas do ar.

E, não resistindo ao trocadilho óbvio, dica para os meninos: Se o lance estiver complicado, tente outra vez...



Menina Prodígio se aventurou aqui às 10:56 AM


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Fonte: Anvörg


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