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24.5.05



Brasília-ília. Ilha? Pilha!

Fomos todos para a frente do alojamento, esperar o 110 passar. O plano era extremamente simples: pegar o ônibus, descer na Praça dos Três Poderes (doravante Praça Superpoderosa, pois eu amo piadas fáceis, e também amo apelidos engraçadinhos), assistir ao show da Daniela Mercury, pegar o ônibus de volta, e fazer farra no alojamento até todo mundo cair de cansaço.

Em algum momento da noite, nós dominaríamos o mundo, mas isso não ficou bem combinado.

Passou o 110. Uma quantidade incerta de malucos embarcou. Antes de nós entrarmos, só tinham três passageiros no ônibus. Depois que entramos, lotou geral. Eu, Artista e o Geek-Nerd-Gente-Fina ficamos em pé.

Eu(Menina-Tereza-de-calcutá-prodígio) - Gente, vamos contar quantos nós somos, pra não nos perdermos!

Moçada alucinada - Brasí-lia, Bra-sí-lia, Brasí-lia!

Artista - Treze, quatorze...Tem vinte e um.

Amigo-Reservado - Mas aquele casal e aquela moça são passageiros do ônibus!

Eu - Dezenove.

Moçada Alucinada - Olerê, Olará...Misturei o carimbó com o siriá!

Eu - Pra que é aquela garrafa PET? O refrigerante vai ficar quente!

Moça de Belém - É só Vodca, mana!

Eu - MIsericórdia, imagina quando eles começarem a beber!

Moçada alucinada - Cobrador é um bom companheiro, cobrador é um bom companheiro...


***


Eu me levantei, entreguei a minha máquina pro cobrador e pedi pra ele tirar uma foto da bagunça. O cobrador (parecia um garotinho de quinze anos) fez uma das coisas mais gentis que um estranho já fez pra mim: saiu da sua cadeira, e ficou trepidando tentando ajustar o foco.

Eu já tava vendo que a foto ia ficar um borrão, quando senti o ônibus desacelerando pra fazer uma curva. Berrei pra ele:

-Bate agora, aproveita!

Senti o ônibus parando. "Será o sinal vermelho?" O cobrador bateu a foto, e o ônibus voltou a andar. Aí eu saquei:

-Moçada, o motora parou pra gente bater a foto!

Veio a salva de palmas mais tocante que eu já vi, logo acompanhada dos gritos de guerra:

MO-TO-RA! MO-TO-RA!
CO-BRA-DÔ-ÔR!! CO-BRA-DÔ-ÔR!!


A viagem correu MUITO rápido, com vááários gritos diferentes em seu percurso:

Pará! Pará! Pará!
Do Sul! Do Sul! Do Sul!
Goiás! Goiás! Goiás!
PET! PET! PET!
Amazonas! Amazonas! Amazonas!

O pessoal aplaudia todo mundo que subia ou descia no ônibus. E ainda avisava:

O ÔNIBUS É NOSSO! HA-HA, HU-HU!

Ri demais dentro daquele ônibus. Cada vez mais eu notava que a minha vida é melhor que novela, como as meninas de Brasília tinham dito.

Chegamos à praça Superpoderosa. Reformulei meus conceitos sobre a palavra LOTADO.

Tinha mais de cem mil pessoas ali. Daniela já estava cantando. Atravessando a rua:

Eu - Pessoal, quantos nós somos?

Vozes - um, dois... vinte e três...Cadê Fulano! Cadê Siclano?

Eu - Cadê a bandeira do Pará?

Artista - Com o Fulano, que sumiu pra lá.

Moça de Belém- Tem seis meninas!

Eu - Já tá bom. Ninguém precisa saber quantos homens são.

Daniela no telão, cheiro de churrasco, eu sem querer gastar um real sequer (tinha pouca grana). Como não bebo, acabei não gastando nem um centavinho. Mas o pessoal comprou MUUUUITA cerveja, misererê!

Tínhamos achado um lugarzinho legal, a meia-distância da caixa de som MACETONA DE CINCO METROS E QUARENTA CM, do ladinho de um vendedor de cerveja, com uma van vendedora de cachorro quente pra servir de ponto de referência, não comprimido pela multidão e com visão de um dos telões que mostravam o show. Não estávamos nem há cinco minutos lá, quando começou.

Sei lá, quando eu percebi, a massa humana veio, veio, veio, correndo pra cima de mim, pra cima de mim, correndo e gritando. Todo mundo ao mesmo tempo. Me deu um gelo na coluna, e recuei uns passos pra trás. Todo mundo tentava entender, quando o Homem-Vodca (muito doido)gritou pra gente:

-CORRE QUE É ARRASTÃO!

Todos dispararam, cada um pra um lado.Virei de costas e corri que nem o Forrest Gump. Dez segundos depois, escutei (muito longe) a voz do Artista: -Menina...Menina! Não é Olimpíada não! Volta, filha! Eu devia estar a uns SESSENTA METROS de distância deles! Voltei rindo.

-Eita, eu saio de Manaus pra ver barbaridade em Brasília...Depois a gente do Norte que é índio!

-Foi uma briga que teve bem na frente do palco.

-Quantos somos? Cadê o pessoal de Mato Grosso?

-DO SUL! DO SUL!DO SUL!DO SUL! DO SUL! DO SUL! [Moça de MS]

-Olha, achamos vocês! A gente tava perdido![estratégia do encontre pelo grito mode on]

Daniela Mercury, lá em cima do palco, tentava acalmar os ânimos, deu uma bronca bonita no pessoal brigão, e foi aí que veio o sinal do céu.

Ela falou:

-Agora, eu chamo aqui ao palco, um dos grandes representantes do Rock Brasiliense! DINHO OURO PRETO! Todos nós deliramos. Estávamos salvos, o show não era só de axé! A vida pode mesmo ser bela...

"Todos os dias quando acordo / não tenho mais o tempo que passou / Mas tenho muito tempo / Temos todo o tempo do mundo..."

Várias vezes nos demos as mãos e pulamos juntos. Eles dois devem ter cantado quarenta minutos só de Legião. Só as mais boas, as mais melhores, as mais super. Nós nos esgoelamos em Índios:

"Quem me dera ao menos uma vez..como a mais bela tribo dos mais belos índios, não ser atacado por ser inocente..."

Nós nos emocionamos em Giz: "Quero que saibas que me lembro... Queria até que pudesses me ver! És parte ainda do que me faz forte. Pra ser honesto sou um pouquinho infeliz." Piada interna: Como estava ao lado do Artista, eu cantei: "Pra ser honesta sou um pouquinho feliz", mas ele nem notou.Mas o meu momento de nirvana (não o de Seattle, o da Índia) foi "Meninos e Meninas".

“Quero me encontrar, mas não sei onde estou! Vem comigo procurar um lugar mais calmo? Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita... Tenho quase certeza que eu não sou daqui!” [ficou muito engraçado, pois TODOS tinham CERTEZA que não eram MESMO dali.]

“Acho que eu gosto de São Paulo, gosto de São João, gosto de São Francisco e São Sebastião!E eu gosto de meninos e meninas” [Quem era mulher hetero cantou Meninos e Meninos; quem era hetero homem cantou Meninas e Meninas; se tinha algum bi cantou direito; se tinha algum homo, eu não consegui escutar porque o som tava muito alto!]

“Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre,vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente! Estou cansado de bater e ninguém abrir...você me deixou sentindo tanto frio!Não sei mais o que dizer. Te fiz comida,velei teu sono, fui teu amigo. Te levei comigo! E me diz: pra mim, o que é que ficou ? Me deixa ver como viver é bom... Não é a vida como está e sim as coisas como são.Você não quis tentar me ajudar! Então a culpa é de quem ? A culpa é de quem ?” [resposta do geek-Nerd-Gente-Fina: Não sei, pergunta pro advogado!]

“Eu canto em português errado. Acho que o imperfeito não participa do passado. Troco as pessoas, troco os pronomes... Preciso de oxigênio, preciso ter amigos. Preciso de dinheiro, preciso de carinho! Acho que te amava, agora acho que te odeio”[Nessa parte eu olhei pra lua cheia no céu e evitei olhar pro Artista]

“São tudo pequenas coisas, e tudo deve passar” [Fizemos uma rodinha punk e começamos a pular. Nessa hora deviam ser vinte e seis pessoas.]

“Acho que gosto de São Paulo, e gosto de São João, gosto de São Francisco e São Sebastião. E eu gosto de meninos e meninas”.

Eu gostei muito de todos os meninos e meninas do mundo naquela noite. Eu abria os braços, cantava olhando pra Lua Cheia, e sentia dentro de mim a Força de que George Lucas falou. Se eu ficasse um pouco mais feliz o meu coração explodia.

Era uma cascata de coisa boa, vontade de abraçar todo mundo, de celebrar aquela amizade espontânea que se formou entre o pessoal todo que vinha de tantos lugares e tinha tantas histórias diferentes. Não, eu não tomei ecstasy. Não tomei nem um gole de água.

Teve também Teatro dos Vampiros, que vinha bem a calhar naquela hora: "Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir."

A Daniela e o Dinho chamaram a Irmã do Renato Russo (não faço idéia do nome, tentei decorar mas a Lua estava cheia), que é a cara dele porém não canta muito bem, e ela cantou junto com eles. Depois o Dinho foi embora, e a gente tentou puxar um corinho:

TIRA A DANI-E-LA VOLTA O DI-NHÔ

Mas não pegou. A Daniela cantou as músicas dela, e eu me horrorizei ao descobrir que SABIA a maioria! Estudar em colégio Público dá nisso!

"Love as suas tranças de mel, Rá-punzel, Rá-punzeeeeeeeeeel"

"ê, Pérola negra, Pérola Negra, Iê Ayê minha pérola neeeeeeeeeegraaaaaaaa"

Ninguém curtia muito axé, mas pulava assim mesmo. A moça do Pará já devia estar na décima vigésima latinha, e criou um bordão inesquecível: -Vou passar maaaaaaaaal!

Todo mundo tá passando maaaaaaaaal! Vamo passar maaaaaaaal!

"O mundo vai acabar, e ela só quer dançar!". Quem sabia dançar axé, dançou; quem não sabia, usou a coreografia "Roque, um lutador". Junte as mãos à frente do pescoço, com os punhos fechados. Dê soquinhos para a frente. Faça cara de que quer pegar alguém.

A coreografia é invenção minha. Todo mundo sambou quando tocou "Isto aqui o que é": "Isso aqui, ô-ô, é um pouquinho de Brasília-iá" A rodinha de samba prosseguiu com "Aquarela do Brasil":"Oi, esse Brasil lindo de trigueiro, é o meu Brasil Brasileiro, terra de samba e pandeiro!"Todos pulando juntos e fazendo a coreografia de "Roque , um lutador", agora!"

A cor dessa cidade sou eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu / O canto da cidade é meeeeeeeeeeeeeeeeeeu/ O grito, a rua, a fé/ Eu vou andando a pé / Pela cidaaaaaaaade [Só vocês: Boniiiiiitaaaaaaaaa] / O toque do afoxéE a força de onde vem / Ninguém explica[Everybody together: Ela é bonita-á!] / Ô ô ô verdadeiro amôôôôôôôôôôôôôôÔ ô ô você vai onde eu vôôôôôôôôôôôôô / Ô ô ô verdadeiro amor / Ô ô ô você vai onde eu vouNão diga que não me quer / Não diga que não quer mais / Sou o silêncio da noite / O sol da manhã / Mil voltas o mundo tem / Mas tem um ponto final / Sou o primeiro que canta / Sou o carnaval / A cor dessa cidade sou eu / O canto dessa cidade é meu / A cor dessa cidade sou eu / O canto dessa cidade é meu [enquanto eu cantava, pensava que, REALMENTE, a cor e o canto daquela cidade era eu. ]

E a melhor da noite, que fez até o Geek-Nerd-Gente-Fina sacudir o esqueleto: “Corre cosme chegouDoun alabáDamião jaçanãpra levar e deixarAlegria de erê”

“É ver a gente sambar Me look laquêMandei clarear Me alisei pra vermeu forte é beijar Vou cantar maimbe Pra você se acabar Maimbe maimbe dandá Maimbe maimbe dandá Maimbe maimbe dandá Maimbe maimbe dandá Zum,zum,zum zum zum babaZum zum babaZum zum baba”

O show acabou, eu estava bêbada de felicidade, o pessoal tava bêbado de verdade. Fomos andando para pegar o ônibus, e pedimos informação para o MESMO CASAL que estava no nosso ônibus da ida. Passei mal e vi tudo rodando, mas depois melhorou.

Lembrem-se de que eu ainda estava apenas com os salgadinhos do coquetel, e tinha dançado muito. Na parada de ônibus, eu e o Artista nos sentamos no chão, um cheiro horrível de pepsi twist naquela grama, uma lua cheia no céu... E os dois falando merda. Merdas amorosas, sim?

-Eu amo brasília!

-Eu amo você!

-Eu sei!

-Nossa, agora que a gente parou de andar me bateu uma pilôra...

-O que é pilôra?

-Pilôra...depois eu explico, pilôra é passar mal.

-Passar maaaaaaaaaaaaaaaaaaaal!

-Passar maaaaaaaaal...

-Al, al, al, todo mundo passa maal!

-Eu te amo!

-E eu te amo mais ainda.-A gente tá junto, em Brasília!-Nove meses depois de Cuiabá!

-Hoje é o aniversário de Brasília, gente! Todos

- Parabénxx bra voceixx...ahn...dã..

- Quero que chegue logo amanhã. -Amanhã é o nosso dia.

-Todo dia é nosso dia!-voz de bêbada tu vaixxxxxx se dar beeeeeeeeeeeemm!Garotão!

-Nhé, tu também.

-Nhá. cutucão no nariz dele Porque a xxgente táÁáÁ falando qu..tch nem o Paulo Francis bêbado?

-É a convivênxxxcia com esse montch de bêbados!

-Eu não precisoch beber pra ficar bêbada...Tô bêbada de alegria! Eu amo Braaa...aasília!

-Eu amo você!

Lá vinha o 110. Acreditem se quiserem: pegamos o MESMO motorista e o MESMO cobrador!

MO-TO-RA! MO-TO-RA! MO-TO-RA!
CO-BRA-DÔ-ÔR!! CO-BRA-DÔ-ÔR!!




Menina Prodígio se aventurou aqui às 8:44 PM


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16.5.05



interlúdio


Quando eu estava no terceiro ano da escola, era uma pessoa muito ativa lá dentro. Acabei tendo algum destaque, pelas notas altas e pelo meu desembaraço.

Tinha trânsito com todas as turmas, desde o pessoalzinho da primeira série, passando pelos jogados da sexta, até chegar aos meus colegas do terceiro ano.

*****

Logicamente, tinha aquele grupo mais chegado a mim - com quem eu me identificava por um motivo qualquer, trocava meia hora de longos papos diários e ouvia experiências. Entre essas pessoas, a maioria era de meninas do terceiro ano mesmo, aquelas que até hoje são as pessoas que eu mais amo no planeta, apesar de não conseguir falar isso pra elas. Mas havia dois ou três pessoas menores, da quinta série, em quem eu via uma espécie de espelho da garotinha complexada, triste, humilhada e inteligente - eu sempre fui inteligente - que eu tinha sido.

Nutria enorme carinho por eles. Abraçava, conversava com eles como se eles fossem da minha idade, às vezes dava conselhos - tipo "ler é legal, a gente se diverte muito" - e ouvia o relato do que tinha acontecido no dia deles.

******

Rolava uma identificação de parte a parte, e eu não descarto a hipótese de ter me tornado meio ídolo. Na época não lembro de ter notado.

********

E mais ou menos no segundo bimestre começaram os bilhetes.

"Que Jesus abençoe essa pessoa tão bela você é muito legal eu quero te ver sempre feliz."

"Menina-prodígio, eu gostei muito daquilo que você disse sobre o clube de xadrez eu não jogo xadrez mas eu queria até saber pra ficar mais tempo perto de você pois eu gosto muito - MUITO MESMO - de você."

Ora, eu tinha um admirador secreto. Que bonitinho. Pela letra e pela sintaxe, desconfiei que fosse alguém com menos de treze anos, mas quem? Naquele colégio enorme onde todo mundo sabia quem eu era, qual era a minha bolsa e minha sala de aula, qualquer um que quisesse podia deixar bilhetinhos dentro do meu livro de português - e ainda saber que minha matéria preferida era português.

Bem, admiradores secretos são SECRETOS, e eu não tinha tempo de perder a cabeça procurando por ele. Achei bonitinho, até contei pro meu namorado na época, e não mudei minha maneira de tratar ninguém.

Nas últimas semanas de aula, estava andando por aí nos corredores do colégio, quase enlouquecendo com formatura, ensaios, providências finais, dois colegas meus que iam ficar reprovados e pediram pra eu conversar com os professores, quando um dos garotos da quinta série com quem eu conversava bastante sobre livros veio falar comigo.

-Menina...
-Oi, gracinha! (me curvei para abraçá-lo) Tirou notas boas? Vai receber prêmio no início do ano que vem?
-Vou sim, a menor nota foi 8,5.
-Parabéns, viu?
-...
-?
-Você é tão educada...
-Que nada, eu sou é uma grossa. Perco a paciência com tudo, minha mãe é quem sabe.
-Olha menina-prodígio (ele usou meu nome completo, o que me deixou alarmada), eu queria te dizer que tô muito feliz por você ter passado na faculdade, mas eu vou sentir saudade de ti e não gosto de ninguém que vai ser do terceiro ano ano que vem.
-Ahn, mas você se acostuma, em todo lugar tem gente legal.
-Eu queria dizer também que quando o seu pai morreu, eu senti sua falta nos quinze dias em que você viajou pra Belém.

Bem, todo o colégio ficou sabendo mesmo. Mas tem algo errado aqui!

-Ah, foi chato, eu também senti falta do colégio...
-No dia em que você foi falar na frente de todo mundo, logo depois que voltou de Belém, eu falei pra minha mãe que você era muito forte e nem tinha chorado.
-...
-E eu sei que eu ainda sou pequeno, mas quando eu estiver no terceiro ano eu vou fazer igual você e conversar com todo mundo, até quem for da quinta série. Porque as pessoas vão gostar de mim...que nem eu gosto de você. Eu queria ter feito que nem o seu namorado no dia do seu aniversário e ter te dado rosas. E se eu pudesse eu queria ser seu namorado...era só isso, Feliz natal e Boas Férias.

********

Nunca na minha vida senti tanta culpa por ter abraçado alguém com carinho.
Faz sentido se sentir culpada por despertar sentimentos dolorosos e não-correspondidos?

********

Abstrações

Se eu não tivesse dado atenção pra ele, teria sido melhor ou pior?
Se ele tivesse me dito antes, prejudicaria nossa amizade?
Se eu tentasse correponder, seria muita loucura?
Se eu intimamente gostasse da atenção que ele me dispensava, eu seria uma pessoa muito desprezível?

e a maior pergunta de todas...

Se eu já soubesse desde o princípio que ele sentia isso tudo, e alimentasse propositalmente esse sentimento por precisar de alguém pra abraçar... seria maldade, amizade, carência ou instinto?

*******

Maldita história cíclica, que pega a gente aos dezessete e aos vinte e faz as mesmas dúvidas voltarem, cada vez mais complicadas.

Chorei no sábado, e meu Artista é o melhor cara do mundo pra ouvir mulheres-que-choram-por-motivos-estranhos.

*********

-Alô?
-AlÔ...oI...*snif*
-Alô? Meu amor, é você...Eu tava pensando em você, sabe? Tava vendo meu telefone e vi que a última vez que você me ligou foi quinta feira, da sua casa. e...
-Oi...
-Amor? O que aconteceu?
-Eu preciso que você diga que me ama.
-Eu te amo...Mas o que é que tá acontecendo?
-Eu não sei...
-Er...
-É muita coisa junta. Eu sinto saudade de você...e...*chuif* é ruiiiiiiiiiiiim...
-Eu sinto a MESMA saudade. (a voz mais suave do mundo) Mas eu encaro pois sei que não tô sozinho nessa...
-Eu me sinto culpada...Pois eu te amo tanto e...Eu queria que fosse mais fácil. *suspiro* Eu me sinto muito culpada...
-(medo) O que aconteceu?
- *explosão de choro* É muito difícil... As duas coisas são muito difíceis: é difícil ficar sem alguém, e é difícil ficar sem você. *segunda explosão de choro* eu me sinto mal por desejar me apaixonar por OUTRA pessoa, que ...more mais perto!
-(medo)E isso aconteceu?
-*exasperada* Não! Porque eu não consigo! Eu não quero outra pessoa! E me sinto muito mal por querer... Ai que estranho, tu entende isso? O que eu sinto não é vontade de te mandar pra longe, o que eu sinto é vontade de viver algo mais simples, que envolva menos dor...
-*respiração longa* Olha...Você não está sozinha.
-Você sente isso *chuif* também?
-Sinto. Pô, Artista, tanta menina legal aqui em Belém... Escolhe uma, sei lá, arranja uma, que seja possível, que esteja perto, que você possa TOCAR.
-(medo) E apareceu alguma?
- Eu não quero uma menina. Eu quero a MINHA menina.
-*terceira explosão de choro* Eu te amo tantooooooooo....buuuuuuuuuuuu...
-Ô, minha querida, eu te amo também...
- às vezes eu não queria te amar. Eu não queria essa dor.
- ...
-Mas eu gosto do seu amor...entenda, eu gosto do seu jeito.
- Isso me deixa tranquilo, minha mãe vive me dizendo isso!
-Hahaha... Ela tem razão!
-Se bem que ela me diz também que eu não paro em casa, não me alimento bem...
- Ela teeeeeeeeem razão! Hahahaha
-Hahahahah
- *soluço* Droga, a gente se dá tão bem! È tanta naturalidade, é tão gostoso como a gente gosta do jeito um do outro... Que eu fico triste ao lembrar que um dia eu quis não sentir isso...
- Não fique culpada...Ninguém quer sofrer, não é mesmo? Você só queria menos sofrimento...
- Eu queria que o interurbano fosse mais barato...
- Pena que você precisa desligar. Vai chegar o dia em que nós vamos poder conversar a noite toda - ao vivo, eu sentindo o seu perfume e cuidando de ti.
- Quer parar de ser tão maravilhoso?

**********

Como eu pude cogitar a hipótese de procurar outra pessoa? Eu quero enganar quem? Só vou sair por aí atirando adagas, mentindo pra mim, pra ele...e pra outra pessoa que não tem nada a ver com isso.

A saga de brasília vai continuar, viu?


Menina Prodígio se aventurou aqui às 6:16 PM


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11.5.05



Brasília-ília. Ilha?

Quando eu vi aquele pessoal entrando no dormitório e escolhendo beliches, perguntei:

-Vocês são o pessoal de Mato Grosso?

(Caras de tédio de quem não aguenta mais dizer a mesma coisa)

-Do Sul. Do Sul.
-Ah, UFMS. Oi, eu sou a Menina-prodígio, do Amazonas. E aquele que tá entrando depois de voltar do chuveiro é o Menino-com-cara-de-Artista, do Pará. Esse é o Menino-Reservado, e aquele ali é o Amigo-Paisagem, todo mundo do Pará. Tem as meninas no outro quarto...

Menino-com-cara-de-Artista –Olha, chegou o pessoal do Mato Grosso!

-Do Sul! Do Sul!

**********************

********
Depois que todos tiraram do corpo a poeira da estrada, e eu a poeira do avião (Tinha chuveiro elétrico no alojamento! A VIDA pode ser boa!), todo mundo passou perfume e fomos pra abertura do evento. Tinha um ônibus pra levar a gente do alojamento pra UNB (uns setecentos metros, mas é bem melhor pegar ônibus que andar, né?), e o motorista do ônibus era o Seu Alan, de quem eu ainda vou ter de falar muito. Todo mundo dentro do ônibus...

Menino dos olhos lindos de Brasília -Pera aí, tá todo mundo aqui dentro do ônibus?
Amigo-Paisagem-do-Pará – Eu tô!
Casal interestadual – Nós também!
Menino-reservado do Pará – Quem não tá aqui por favor, levanta a mão!
Todo mundo – Hahahahah!
Menino-dos-olhos-lindos-de-Brasília – Quantos são?
Menino-com-cara-de-Artista- Ninguém sabe!
Menino-dos-olhos-lindos de Brasília – Fazer chamada... Amazonas?
Menina-prodígio – Eu!
Todo mundo – êêêêêêêê!
Menino-dos-olhos-lindos de Brasília – Pará?
Paraenses - ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê! Uma listra Branca, outra listra azul...
Menino-com-cara-de-Artista – Nada disso, eu sou Remo!
Menino-dos-olhos-lindos de Brasília – O pessoal que tinha quebrado o ônibus na estrada...Taí o povo do Mato Grosso?

Todos gritando como uma torcida de futebol - DO SUL! DO SUL! DO SUL! DO SUL!

Menino-dos-olhos-lindos-de-Brasília – Seu Alan, toca pra UNB!

*******
Chegando na UNB

Meninas de Brasília – Menina-Prodígio, tu veio! Menina-Prodígio, que saudade! Foram te buscar no aeroporto? Chegou bem? Agora tu vai continuar assinando nos teus e-mails “Beijos para todos, Beijos para o Pará” ?

Pensamento – Elas me conhecem de Cuiabá, mas eu não lembro de NENHUMA delas! Nota mental – Decorar mais nomes dessa vez.

Menina-prodígio – Vocês LÊEM os e-mails que eu mando pro grupo?

Meninas-de-Brasília – CLARO! Tu e o Menino-com-Cara-de-Artista são melhor que novela!

Menina-prodígio – Minha vida parece ficção mesmo.

Depois de receber crachá, pasta e folder, entrei na Cerimônia de Abertura.

O Hino Nacional foi cantado, e seguiu-se a abertura em si. Coisas importantes foram ditas, mas não vou falar delas aqui no blog, não hoje.

***********************

Depois da solenidade, foi servido um coffea break sem café, mas com muito suco, salgadinho e refrigerante.

Amigo-Paisagem - Olha, olha, lá vem, vamo partir pra cima!

E o garçom saía de bandeja vazia após nosso ataque coordenado.

Artista - Se minha mãe me visse com oito salgadinhhhhhhos na mão, ia me dar uma bronca..."Menino, que falta de educação!"
Eu - Mal-educado, bem alimentado! Isso aqui é o meu jantar, viu? *virando o terceiro copo de suco e procurando mais*
Artista - É mesmo, né? Não vamos precisar comprar jantar! *Capturando, com muita técnica, três coxinhas numa mão e dois risoles na outra*
Amigo-reservado - Espia, espia, lá vem mais um!
Poeta- de-Brasília - Eu tenho vergonha de vocês!
Todos - Hauhauhauhahauh (de boca e mãos cheias. )
Eu - Qual a programação cultural de hoje?
Moça do Mato Grosso do Sul - Vai ter Show da Daniela Mercury na Praça dos três poderes, pois hoje é aniversário de Brasília.

Comentários esparsos - Daniela Mercury? -Mas eu não gosto dela! - Poxa, não tem mais nada?

Menino-dos-olhos-lindos - É de graça, pois hoje é aniversário de Brasília.

Comentário geral - Tô dentro!

********************

Depois de fazer uma farra dentro do auditório, batendo fotos em poses sérias nos lugares de honra da mesa (vazia), voltamos para o alojamento. Banho (quente! A vida PODE MESMO ser boa) , trocar de roupa. Enquanto esperávamos o pessoal se aprontar, Eu e Artista fazendo acertos:

Artista - Dá uma conferida na programação! O que a gente pode enforcar?
Eu - Amanhã de manhã é palestra sobre recursos hídricos, com alguém importante do Ministério; depois, outra palestra sobre usinas hidrelétricas...Depois intervalo de almoço...depois Grupos de Trabalho, que são a parte mais importante do Evento.
Artista - Perder GT, nem pensar?
Eu - Nem pensar. Vai ser a palestra mesmo.
Artista - E como a gente faz? Eu não conheço nada daqui. Você vai perguntar pro Poeta?
Eu - (pensativa) Cara... Eu não quero que o pessoal fique sabendo que no meio do evento a gente fugiu pra...ahn...ficar junto, tu sabe.
Artista - (maliciooooooooso) Mas o pessoal vai desconfiar, tu não acha não?
Eu - (paciente) Mas sempre vai pairar aquela dúvida: rolou ou não rolou?
Artista - (sorriso)
Eu - (rubor)
Artista - Mas sim, sejamos pragmáticos, a gente foge da palestra e vai pra onde?
Eu - Chegando lá na UNB, eu entro na Internet e vejo se a Donana respondeu ao meu e-mail.
Artista - E...
Eu - Se ela respondeu, eu ligo pra ela e pergunto na lata: Donana, onde é que tem um motel beeem baratinho, padrão universitário, pra mim? E como é que eu chego lá?
Artista - Ué, porque você não pergunta pro Poeta?
Eu - (impaciente) Eu não tenho jeito de chegar com ele e perguntar onde tem um motel baratinho.
Artista - E com a Donana você tem? Tu não sabe nem o nome dela verdadeiro!
Eu - É diferente...É completamente diferente. Ela é do mesmo planeta que eu, o planeta onde as pessoas dizem blog.
Artista - E se ela não responder ao e-mail?
Eu - A gente olha na lista telefônica! Aqui no alojamento deve ter uma...A gente olha, anota os telefones, liga pro lugar e...
Artista - Pergunta qual ônibus passa na porta!
Eu - Isso! Gênio! E aproveita pra perguntar o preço...
Artista - Brasília é estranhhha. Em Belém, tem o Centro, e todo mundo sabe onde ficam esses pulg... lugarzinhhhhos.
Artista -Em Manaus também. Mas Brasília não tem Centro!
Eu - E nem ruas com nome de gente.
Artista - E nem camelô!
Eu - Se não tem nada disso, será que os motéis daqui são inacessíveis pro padrão Universitário?
Será que são só padrão Ministerial?

Moça de MS - Ei, tá todo mundo pronto, os meninos do Pará tão com uma garrafa de PET cheia de vodka! Vamos pegar o ônibus 110, pra rodoviária do Plano Piloto
Casal Interestadual - Égua, a noite promete! Hahahaha!

Ele olha pra mim e me abraça. Gargalha que nem um menino.

Artista - Eu tô completamente feliz!!!!
Eu - (idiota emocionada) Eu te amo...

*****
respostas e show da Daniela Mercury, no Próximo post...


Menina Prodígio se aventurou aqui às 7:16 PM


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5.5.05



A versão DELE dos fatos...Só porque vocêssão meusleitores


A vida é maluca.
A vida é mesmo maluca.
Bom, você sai da sua terra totalmente despreocupado para a sua 1ª viagem para fora de seu estado, toalmente sem saber o que espera depois da fronteira.
E conhece uma pessoa que muda completamente a sua vida.
Você volta para a sua cidade e nada mais é como antes. Suas prioridades mudam e você tem alterada algumas das suas visões de vida. Você se vê inserido na história de vida de uma pessoa, um novo personagem na sua crônica, e você prepara a sua vida para estar perto dela.
E isso é muito bom.
Chegar em Basília depois de 40 horas e de uma viagem mais ou menos complicada, com direito a prego no meio da madrugada com escolta policial não é problema, problema teria sido chegar em Brasília e não vê-la.
É.
Cheguei na rodoviária e a 1ª coisa que eu queria ver era ela, mas ela não estava (mais) lá.
- O que é que vc tá procurando?
- Nada não (suspiro). Como fazemos para chegar na UnB?
- Cara, 1º vamos tratar das nossas passagens.....
(como eu gostaria que ela estivesse aqui para que eu pudesse decidir melhor uma hora para voltar... vai saber que tipo de planos podemos ter juntos par a a nossa estadia em Brasília?)
Bom, volta marcada (com um certo aperto no peito), encontra tio brasiliense de um dos nossos companheiros de viagem, (ufa), pega ônibus, desce, pega ônibus, desce, Unb!
Pega ônibus. Estação do plano piloto. Que lugar maluco! Gente que não dá mais, todos os ônibus que vão para todos os lugares.......
...............e o x-tudo de 1,30...........
Bom, já satisfeitos, e com direito até a foto do x-tudo de 1,30 (raro, muito raro, precisamos de provas de que isso existe) Fomos para a UnB.
Para nossa sorte encontramos no ônibus uma das meninas da organização.
- Esse é o centro de artes!
- Ah, olá centro de artes....
- Esse é o centro de ciências sociais!
- Ah, olá centro de ciências sociais.....
- Esse é o Brasília Tenis clube onde vocês ficarão alojados!
- Ah, olá......
E lá estava ela.
Quatro meses,
distância,
meses,
e ela estava bem ali,
P.E.R.T.O....
- ENTÃO VAMOS DESCER!!!
Disse eu partindo em disparada para a porta doônibus, assustando todo mundo.....
- Mas você têm que fazer a sua habilitação!! Disse a menina organizadora.
- Mas, mas....
- Ê, cara, o que foi?
Aí foi a hora que eu mais tive que me conter até hoje na minha vida.
- Tá bom, vamos lá....
Até hoje não sei o que foi que aconteceu para eu não ter saído correndo daquele ônibus, com os braços estendidos e gritando o nome dela, abraçado ela e ter todas aquelas visagens que as pessoas tem em filmes, aparecem campos floridos, menininhos voadores de bunda de fora, corrida na praia assustando assustados pássaros, bom, mas me contive.
Quem espera quatro meses espera mais alguns minutos.
Habilitação, pega o material (pasta de papelão com papéis dentro), paga 12 reais para camisa, conhece pessoas e alguns lugares e recebe indicação de como chegar no alojamento a pé.
E começam minutoa angustiantes.
Alguns amigos meus que encontraram cachaça de despacho e começaram a beber ficaram para trás.
- Vocês tem certeza que é por aqui?
- É sim, é só ir para a beira do lago.
- Mas, e se....
- Não, é por ali. Olha, é só descer esse caminho, ... , olha lá o alojamento!!
(e agora, como faço para segurar esse coração aqui dentro?)
Cada metro parece uma angústia, cada passo o corpo começa a desobedecer, e cada vez chegando mais perto....
Entra no alojamento.
Vai para o lugar onde tem que fazer o pagamento.
E, lá está ela...........
Como se fosse ontem,
como se fosse hoje,
como se nada tivesse acontecido...
Sabe, eu já tinha parado para pensar como ia ser a minha reação quando a visse, mas a única coisa que consegui fazer foi abrir os braços, para recebê-la, para confortá-la, e ser confortado.
Não tenho medo de admitir: sou um homem apaixonado.
Ela sorriu, um sorriso meio de menina quando vê caixa da boneca, sei lá, um sorriso inocente que me pareceu a coisa mais bonita do mundo!
E pulou sobre mim, me abraçou com as pernas, com os braços, com o coração......
......e não me beijou.
- Ei, você não vai me beijar mesmo?
- Não, tenho vergonha...
- ???????? Bom, tudo bem...... (mais alguns minutos de espera...)
Alojamento, uma floresta de beliches....ê finalmente consigo beijá-la, um beijo de quatro meses, um beijo que, égua, esperou muito!
Esperou demais.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 8:10 PM


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Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

Todo dia uma aventura nova. Toda semana uma odisséia. De vez em quando uma atualização


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Wladimir Maiakóvski
Fonte: Anvörg


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