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25.10.05

♪Eu tenho tanto, pra digitar...♪

E depois de sair do trabalho, chorar no colo de mamãe soluciona efetivamente tudo.

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Comer três sonhos de valsa ajuuuuda a passar a TPM, mas dá uma dor de barriga...

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E eu resolvi encenar Romeu e Julieta(versão infantil, que eu fiz no meu longínquo Ensino Médio). Fui procurar o texto, e descobri algo aterrador: escondidos nos armários de casa, jaziam o equivalente a oito resmas de papel usado.

Todos meus. Anotações do meu primeiro período na faculdade (Dezessete anos, quão longe estais!), apostilas de matérias que eu posso ou não ter aprendido, panfletos de filmes que eu assisti no Cine-Vídeo do pessoal de Comunicação Social, zilhões de bilhetes de cinema (de 2001 a 2005), lembrancinhas miúdas de coisas que eu NÃO LEMBRO o que eram.

Fiquei tão assustada com o tamanho da bagunça que decidi: ia passar o aniversário de Manaus organizando, classificando, colecionando biblioteconomisticamente , com direito a pastas de elástico, etiquetas e tudo o mais.

Segunda, Manaus amanhece com 336 anos (e um corpinho de 36). Lá vai a Menina-Prodígio, lutar contra A Terrível Pilha de Papéis Assassinos e Macarenantes. (Macarenantes- neologismo by Inagaki) .

Resumo da ópera? 50% dos papéis rasgados, alguns minutos perdidos relendo cartas de amor (quando eu tinha treze anos eu recebia cartas de amor tão lindas quanto os e-mails de amor que publico aqui. Alguém lá em cima providenciou pra que eu só encontrasse meninos fofos no meu caminho.), diários antigos (com coisas inacreditáveis escritas, do tipo "Um lugar de meu refúgio são teus olhos/ olhos brilhantes de sorriso largo/ de vida adorável/de amor amigável"), cartões de embarque das minhas viagens pra Cuiabá, Belém e Brasília, papéis de presente, textos teatrais escritos por mim (e dói ver quão mal-escritos eles foram!), muito textos que eu encenei e nem lembrava mais, meu cadernos da época do cursinho, escritos com caneta com cheiro de morango (o cheiro só sobrou na memória), manifestos contra a Reforma Universitária, crachás das muitas palestras que assisti, fotos (FOTOS FORA DO ÁLBUM, um pesadelo completo), lacinhos coloridos de presente, agendas novas de anos passados, apostilas de Administração de materias totalmente lidas, decoradas e marcadas com marca-texto, apostilas de Administração Financeira intactas, apostilas de Teoria da Administração que eu adorava ler depois de almoçar no Bandejão, trabalhos de todos os cinco períodos que já cursei na faculdade, confirmações de matrícula, o envelope no qual a Alê Félix me enviou o Balde de Gelo (ela escreveu MENINA-PRODÍGIO [mesmo] no envelope, e ainda desenhou uma carinha ), cartas de quando eu tinha oito, nove, dez, onze,doze,treze,quatorze,quinze,dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove e vinte anos, de pessoas que eu não sei onde estão, de um rapaz de São Paulo com quem eu me correspondia (VIA CARTA! CARTA, gente!), de uma amiga muita querida que tomou outro rumo, do Menino-Com-Cara-de-Artista (além de e-mails, ele me mandou cartas, também, tá?), do meu primeiro namorado, que hoje mora em Porto Velho, adesivos de joaninhas, Folders com a programação de Secretaria de Cultura. Textos usados na evangelização do Centro Espírita em 1997. Poemas de ferreira Gullar copiados com a minha letra de criança, que continuam me impressionando do mesmo jeito. Letras de músicas, muitas, algumas copiadas, outras impressas. Cifras do Djavan. Cadernos em branco. Cadernos semi-novos. Cartões de Natal. Um atestado de doação de sangue.

Muita coisa rasgada e jogada no lixo. Muita coisa devidamente arquivada. Pastas etiquetadas, colocadas no armário em ordem de tamanho. Cartas guardadas com muito carinho, em ordem de remetente.

E aí que eu percebi: a história da gente é contada pelas coisas que a gente não tem coragem de jogar fora.

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Terminei às quatro da tarde, e convidei Mamãe-Prodígio para ir ao cinema. Assistimos "O Coronel e o Lobisomem". Bom filme, Selton Mello cada vez mais talentoso, Diogo Villella mantendo uma interpretação firme em cada segundo, Ana Paula Arósio sendo linda (Meu Deus, como ela é linda. Tem um momento de close no rosto dela que me deu vontade de sair correndo antes de ser sugada por aqueles olhos), e uma participação carinhosa e marcante de Francisco Milani (Pedra Noventa, só enfrenta quem tiver Tolerância Zero...).

Pra quem for: Muita atenção no Galo Vermelhinho. Ele é uma graça.

Só notei uma coisa: o linguajar do filme é difícil, cheio de expressões inventadas como "homem desgracentoso" "paletó embonecrado" e " De repentinosamente ". As construções também são pouco usuais, com períodos longos e cheios de subordinadas. Não vai fazer tanto sucesso quanto "Lisbela e o Prisioneiro", o que é uma pena, pois "Lisbela" é um filme com acabamento bastante inferior e interpretações muito fracas.

Em suma: "O Coronel e o Lobisomem " não é uma obra-prima, mas é uma boa realização. O final me deixou com um gostinho de "podia ser melhor", porém, como não li a obra que inspirou o roteiro, não sei dizer se fez justiça ao texto.

Nota: Se vocês tiverem uma mãe como a minha, fiquem atentos para sacudi-la sempre que ela começar a dormir.

**********

Recebi este e-mail no domingo de manhã:

Esse e-mail vai ser um pouco curto, só porque eu sei que tenho que te dizer, que preciso te dizer algumas coisas, que gostaria muito que você lesse assim que chegasse no trabalho.
Bom, a primeira é:

Vou para aí nessa quinta feira, 27 de outubro, às 22:30, hora Manaus.

Todas as outras posso te dizer pessoalmente, logo, logo.
Mas te adianto alguma coisa, como por exemplo que eu te amo, que preciso muito de você, sua alegria, sua companhia, seu amor.
Que morro de saudades, e as coisas daqui sempre parecem que seriam bem melhores com você por perto.
Vou poder experimentar novamente a sua proximidade daqui a 3 dias. E durante uma semana. Uma pena que seja apenas uma semana, mas vamos ver como as coisas evoluem, com o tempo podemos nem precisar ver datas de separação....
Mas enfim. Te amo minha linda, e ainda te vejo nessa semana que começa hoje.
Beijos meu amor,

Artista

PS.: Sei que passou pela sua cabeça. Sim, meus pais estão bem, (...). Eles me deram um apoio que chegou a me emocionar. (...) as coisas se tranquilizaram bastante por aqui. Até logo...


A felicidade tem data e hora marcadas pra começar. Mas eu acho que não faz mal eu ir ficando feliz desde agora, não é mesmo?

A todos os que se preocuparam comigo, muito obrigada. Especialmente Mamy Cláudia, meu colo virtual, uma pessoa que tem tanto jeito com pessoas descontroladas que até nas letras digitadas pelos dedos dela eu consigo sentir calor humano e carinho. A gente pensa que esse negócio de Internet é frio, e de vez em quando vem uma surpresa boa dessas, todo mundo dando F5 pra ver se o seu piti já melhorou.

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Eu deveria dividir esse post em quatro, ou vocês acham que ficou bom assim?


Menina Prodígio se aventurou aqui às 11:59 AM


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Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

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Fonte: Anvörg


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