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29.11.05



Eu tenho um grande amigo.

Um grande amigo, mesmo. Aquele com quem eu passava horas pendurada no telefone, fazendo análises do mundo, da moral, de livros e de comportamentos.

Aquele em cuja casa eu entro e todos me conhecem, e eu posso abrir a geladeira pra ver o que tem de bom, e ir passando direto pro quarto pra me jogar na cama.

Aquele que tem a senha do meu blog, haloscan e e-mail.

Aquele pra quem eu tenho vontade de contar tudo de bom que acontece comigo.

Aquele que eu escolho pra desabafar as coisas ruins que acontecem comigo.

Quando nos conhecemos, eu nem podia imaginar que viajaria para Cuiabá. A sintonia foi imediata, e eu lembro que a primeira coisa que disse ao vê-lo foi: "Nossa, como ele é bonito!"

Por um curto período de tempo, nós pensamos (tememos?quisemos?) que houvesse mais do que amizade. Eu temi muito, tinha acabado de sair de um relacionamento cansativo, e disse não. Dois meses depois, conheci Cuiabá, descobri o que é um frio de dez graus...e conheci um Artista que mudou minha vida pra sempre. E o meu amigo (que nunca poderia ser mesmo mais do que amigo) foi o escolhido pra ouvir cada passo das minhas angústias, esperando e-mails chegarem e os meses passarem.

Meu amigo me ensinou mil coisas. Me emprestou livros e revistas em quadrinhos, me mostrou lugares onde se ouve jazz e blues, discutiu comigo por causa de música. Sempre me deixou por último, pra ter mais tempo de se despedir, e quando me deixava em casa, eu nunca conseguia simplesmente subir. Passava mais uma, duas horas conversando com ele, sobre tanta coisa engraçada/triste/inútil/importante, que o tempo corria e logo eram cinco da manhã e eu não estava em casa -estava a vinte metros dela, sem conseguir deixar a conversa tão envolvente.

Meu amigo foi a única pessoa pra quem minha mãe mostrou o trompete do papai.

Meu amigo não cabe na minha casa.

Meu amigo tem um abraço macio, e um cabelo bom de bagunçar.

Meu amigo sempre comenta no meu blog.

Meu amigo nem sabe disso, mas passar uma sexta ou um sábado sem vê-lo fazia o resto da semana perder um pouco do sabor. E eu chorava quando não o via.

E eu comecei a chorar mais vezes ao ver que ele tinha um monte de outras amigas e amigos com quem passar as sextas e sábados. E eu não tinha.

E eu me entristeci ao ver que não era mais a última a ser deixada em casa, e que não havia mais disposição para conversas de duas horas.

E da tristeza, passei para o ciúme, e do ciúme para a rudeza.

E quanto mais rude eu ficava, menos o via.

Pescava trechos de conversas de amigos em comum, onde eu percebia que algo muito novo e muito bom estava acontecendo com ele, e eu não fazia idéia do quê.

Descobri por acidente, quando escrevi sobre viagens, e ele veio me perguntar mais detalhes sobre passagens, estradas e malas. E eu descobri o que estava acontecendo quase que por acaso. E me senti tremendamente desprestigiada por não ter sido escolhida para compartilhar dos acontecimentos.

E novamente o ciúme gerou rudeza. E a minha rudeza gerou chateação no meu amigo.

Não haviam apenas problemas. Houve muitos e muitos momentos encantadores. Mas eu prestava mais atenção aos momentos de dor e deslizes.

E com isso, suponho ter me tornado uma pessoa insuportavelmente rude, chata e possessiva. E quanto mais atenção eu tentava chamar, mais sentia a paciência do meu amigo chegando ao limite.

Eu vivi dias extremamente felizes, e ele pouco soube do que eu estava fazendo. Se fez presente, gentil e apressado, e eu com vontade de conversar com ele durante duas horas. E o tempo, ficando cada vez mais escasso.

E eu vendo o tempo passando.

Bem, novembro termina amanhã. O tempo passou, e eu tive uma longa conversa de bem mais de duas horas com meu amigo. Muita roupa suja lavada, muitas infantilidades minhas trazidas à tona.

Se estamos bem? Não sei dizer.

Passar o Natal sem ele vai ser difícil. Ano passado, ele segurou a barra das minhas saudades e tristezas... E nesse ano?

Bem, neste ano vou ter de me segurar sozinha. Porque ele tem uma longa jornada pela frente. Porque ele vai quebrar muitas barreiras, conhecer lugares novos, muitas pessoas extremamente legais (até o Trotta), fazer algo que ele sempre se propôs: conhecer pessoas através do blog ( eu mesma sou uma).

E eu estou feliz, ora. *sorriso amarelo* Tá, estou feliz por ele, e sem saber como é que vou fazer pra aguentar as sextas e sábados sem ele durante dois meses.

Ô, grande amigo grande, nem tivemos a conversa de duas horas que eu estava querendo há tanto tempo. Mas e daí? Boa viagem, cariño. Eu espero até fevereiro pra gente conversar muito, e você me conta como é o sotaque do pessoal todo.

Se cuida...e me dá licença que eu vou bem ali pegar um lencinho.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 11:43 PM


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