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15.11.05

Post Scriptum.

Eu e mamãe recebemos um convite pra rever antigos vizinhos, muito queridos.
Mamãe e eu nos arrumando. Ela, tentando lembrar dos nomes corretos de cada um:

-Qual o nome da irmã da Rosa, nossa ex-vizinha? Era com R também...
-Rosana? Rosany? Rosane? Rosicler?
-Não....Era com Rô, tenho certeza...
-Huuuuuuuuuuuuuum...(penso penso penso) Roubalheira. Rotavírus. Rodasol....
- Roupinol!
- HAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAH!
- Rodamundo, rodagigante, rodamoinho, rodapião...
- O tempo rodou num instante...
-....Nas voltas do meu coração!


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Esclarecimentos sobre a greve

Eu não consigo escrever. Não consigo.
Obrigada pela preocupação demonstrada. Estou bem, estou bem. A saudade do meu garotinho já vai passar, pois em dezembro vou pra Belém (yey!) e terei chance de vê-lo.
O grande dilema é : quando eu escrevo sobre ele, machuca demais, por lembrar de tanta felicidade. Quando eu escrevo sobre não-ele, o texto não diz nada. Não fala sobre mim. Fica frio. Inexpressivo. Ruim. Se fosse de papel, eu rasgava. Como é de computador, eu deleto e depois recupero, arrependida de ter deletado.

Rasgar é bem mais relaxante que deletar. Rasgar requer força física, violência, emoções negativas sendo gastas. Deletar é apertar uma tecla. Deletar é leve, é educado. É contido. Nem o barulho é empolgante. O barulho do papel sendo rasgado é constante, ritmado, traz alívio. O barulho da tecla é fugaz, mecânico, desprezível.

Ando com saudade da caneta no papel. De ver minha letrinha redonda de criança de quarta série. Tinta azul, folha pautada de azul claro. Textura, algo físico, algo que dá pra abraçar se for muito bom, rasgar se for muito ruim, amassar e pisar em cima. Preciso de papel.

Escrever cartas. Eu devia escrever cartas. Cartas escritas à mão são mais demoradas, mas são uma prova de dedicação. Têm o cheiro da pessoa ali. Têm os vincos da caneta, feitos pela força dos dedos. Têm o cheiro, da mão deslizando segurando a caneta. Têm o tempo, em que a pessoa parou de fazer as outras coisas que a vida pede. Ver TV, pagar conta, comer uva, transar ferozmente até quebrar todas as ripas do estrado, ela podia estar fazendo tudo isso, mas tirou um tempo e escreveu pra você. Enquanto escrevia, pensou em você. Em falar coisas pra você.

Coisa bonita que é uma carta. Tanto calor, tanta intimidade, tantos protocolos invisíveis (cidade, dia de mês de ano. Querido destinatário: comigo está tudo bem, e você?, gostaria de dizer que, foi tão legal, como seria bom que você estivesse lá também, finalizando gostaria de dizer, volto a escrever mais vezes, aguardo sua resposta com ansiedade, beijos e abraços, Remetente).

E os pê-esses. P.S....Post-scriptum. Aquilo que é escrito depois do escrito. A carta devia ter acabado, mas você volta com mais uma lembrança, mais um beijo, mais uma vez a caneta corre, pois o texto normal não contém você inteiro, e sempre há chance de dar mais pedacinho de si. E você continua, P.S.: diga a alguém que pensei nele, P.S.: Vou resolver o que você me pediu, P.S.: veja no jornal a minha foto.

Os pê-esses são pequenas provas de amor que ficam no fim da declaração de amor que é a carta, mesmo sendo uma carta de notícias, de amigos, de receitas. Os pê-esses são os escritos que vêm após o que já foi escrito, como se já não bastasse tanta entrega, tanta atenção dada ao fazer da carta, e você continua um pouco mais. Como aquele que se afasta e vira pra dar mais um sorriso, o pê-esse faz a despedida ser mais suave. Sim, está acabando, mas eu não quero que acabe, vamos findando aos poucos.

E quando o pê-esse acaba, e ainda tem mais de você pra colocar na carta, você faz o post-post-scriptum. P.P.S. Pê-pê-esse. Coisa mais linda, é praticamente um bombom com duas castanhas dentro. Mais um pedaço de amor, "me deixe ficar mais um pouco com você, pois essa despedida não é da minha vontade, foi esse dia malvado que inventou de ter só 24 horas, e me deixar sem tempo de te escrever".

Preciso escrever cartas de papel, cheias de pê-esses no final, repletas de quem eu sou e de quem eu quero ser. E vou. E vou.


Beijo grande,

Menina-Prodígio

P.S.: Obrigada aos que se preocuparam com a greve. Que coisa gostosa saber que tem gente que fica se perguntando onde você foi parar.
P.P.S.: Eu não acredito que escrevi tanto. Se vocês tivessem idéia do bloqueio que a tela de edição do Blogger me dava...Eu logava, olhava o cursor piscando e dava alt+f4.
P.P.S.: Escrever liberta. Escrever é tirar a roupa. Escrever na internet é tirar a roupa em cadeia mundial de televisão.
P.P.P.S.: Já falei que vou pra Belém ver o meu namorado? Estou FELIZ.
P.P.P.P.S.:Como esse blog me faz bem. Como vocês me fazem bem.
P.P.P.P.P.S.: A greve acabou. :-)


Menina Prodígio se aventurou aqui às 4:18 PM


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Мой парень уже год работает в другом городе, он приезжает только раз в месяц, но его отнашения ко мне все время разное, то он за что-то на меня злится, то просто души во мне нечает, то он вообще ко мне равнодушен, я его не понимаю, пытаюсь разговаривать, выяснять отнашения но ничего не получается, отнекивается говорит на работе проблемы, самое ужасное что когда он в хорошем настроении мы начинаем строить какието планы на будущее, но в следующий месяц все рушиться. я его очень сильно люблю и нехочу терять, но и быть в таких отнашениях я тоже нехочу. Что мне делать?????? Как его понять?
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