<BODY>
29.1.06

Brasília: o avião, a padaria e a banheira (Parte três)

E depois de ser abençoada por um avião, qual a primeira coisa em que a pessoa pensa?

Menin@ - Mas sim, a gente anda, anda, e só tem CASA...
Artista - A gente pode perguntar mais ali à frente, se você não ficar morrendo de vergonha...
Menin@ - Ali tem duas padarias, a gente pergunta lá. Qual das duas? OLHA, aquela padaria ali vende açaí!
Artista - Será que é açaí de verdade ou POWER açaí, com granola e banana?
Menin@ - Argh, sacrilégio fazer isso com açaí.

Entramos na padaria.

Artista - Oi, o açaí de vocês é normal? *risadas*
Balconista - Como?
Menin@ - A gente queria saber se ele vem com aquelas gororobas. *risadas*
Balconista - Ele vem congelado em sacos de um litro.
Dono - O nosso açaí e original do Pará, um amigo meu manda de lá.
Artista - Mas que coisa fantástica! Eu sou do Pará, como o seu açaí! *risadas*
Dono - Estão a passeio? Lua-de-mel?

Nos entreolhamos, meio sem jeito. Notava-se tanto assim?

Menin@ - Não, eu sou de Manaus...estamos participando de um congresso de estudantes.
Artista - Estamos na UNB, sabe a UNB?
Menin@ - Estávamos passeando, e vimos a faixa vendendo açaí, e pensamos: ora, nós somos do Norte, o açaí também, vamos entrar!
Artista - E precisamos de uma informação. Vocês sabem onde é que nós encontramos um...
Menin@ - ...lugar pra almoçar? É que nós andamos muito a manhã inteira.(Ele me olhou com cara de bronca.) Qualé, vai dizer que você não tá com fome?
Artista - Várias fomes...
Menin@ - (Vermelha que nem urucum) Er...ahn...Pois é, onde vende almoço aqui por perto?
Dono - Olha, restaurante aqui perto não tem não. Mas vocês podem ir lá pra Rua-de-Cinco-Pistas, pegar o Ônibus Fulano de Tal e descer no...
Casal-Interestadual - NÃO!

*Dono e Balconista com cara de espanto. Outros dois balconistas vieram lá de dentro, ver o que tava acontecendo.*

Menin@ - Olha, não tem açaí pronto, aí? Ia ser engraçado, nós dois virmos do Norte pra almoçar açaí no Planalto Central, né?
Balconista *desconfiada* - Só tem açaí congelado, em sacos de um litro.
Menin@ - Então a gente pode comer algo aqui mesmo! Por exemplo, *apontando a primeira coisa que viu na vitrine* esse bolo com cobertura de chocolate! Quanto é a fatia?
Balconista - Um real. É de cenoura.
Menin@ - Olha que perfeito! Praticamente uma salada! Me dá UMA fatia.
Balconista - *desconfiada* Pra vocês dois almoçarem?
Artista - *disfarçando* Depois a gente escolhe outra coisa...

*Balconista dando um retângulo de bolo pra mim*

Gente, não sei direito, eu estava com fome, mas aquele foi um dos bolos mais gostosos que eu já comi. Era bem laranja, com pedacinhos de cenoura, e a cobertura de chocolate era uma casquinha, como aquelas de picolé skimo.
Arregalei os olhos de surpresa e prazer. O Artista também aprovou.

Menin@ - Me dá mais três fatias? Embrulha duas pra viagem e a outra ele come aqui mesmo. Mas que delícia de bolo!
Artista - Vou ver se quero mais alguma coisa.

Ele foi zanzar, e eu saí da padaria pra olhar a rua. Olhei de um lado, casas e casas. Olhei do outro, e, duas casas depois da padaria, um luminoso de neon! HOTEL CACIQUE.

Pensamento: "Obrigada, papai do céu."

O Artista tinha comprado mais alguma coisa - que eu não consigo lembrar se era pão de queijo ou refrigerante, mas podia também ter sido pizza - e estava encantando a todos os funcionários da padaria com seu bom humor e inteligência.

Tá bom, tá bom, ele só tava fazendo piadas sobre o POWER-Açaí. Mas os balconistas e o dono estavam adorando.

Artista - ...e aí eu olhei pra placa: temos açaí com granola, açaí com sucrilhos, açaí com banana...E eu pensei: se esse doido fosse vender açaí com banana em Belém, ia ser multado pela vigilância sanitária!
Balconistas (Todas eram mulheres, eu lembro direitinho, hunf) Hahahaha...Por quê?
Menin@ - Porque em Belém, açaí é considerado uma fruta que não combina com outras coisas, por ser indigesto. Por exemplo: manga com leite, melancia com feijão, repolho com ovo. Se você toma açaí, deve evitar comer coisas pesadas, como banana, pão, melancia. E tomar um golinho d'água lavando o fundo copo ou da tigela em que você tomou o açaí, pra evitar azia.
Balconistas - ahhhhhhhhhhhhhh....
Menin@ - Bem, então, muito obrigada por tudo, a cidade de vocês é LINDA, estou apaixonada.
Artista - Ah, vocês sabem informar...
Menin@ - *beliscão no braço dele*
Artista - ...nada, deixa pra lá.
Saímos da padaria com muitos risos e piadas.

Fora da padaria:Artista - Sim, e qual o seu plano?
Menin@ - *O segurando pelo ombros e girando pra enxergar a placa*
Artista - Mas sim, o que é....ahhh, CACIQUE? Só pode ser um sinal!
Menin@ - Que nem a padaria do açaí. Estamos muito sortudos, nós dois.Artista - Na cidade em forma de um avião, um avião passa sobre nós dois, encontramos açaí do Pará e um Cacique feito de neon. Se eu fosse superticioso, eu diria que este momento é pra ser vivivo intensamente...
Menin@ - Nem precisa ser superticioso... Acho que encontramos.
Artista - E você nem precisou perguntar na padaria, né? (Sorriso)Vergonha de perguntar pro Poeta, de telefonar pra perguntar, de pedir informação do cobrador, de pegar o Ônibus que vinha pro Setor de Motéis... Mas você é muito envergonhada...Que boba, ficar com vergonha. Ninguém aqui te conhece, você não vai ficar devendo nada pra ninguém.
Menin@ - Ahn...Não sei, não é fácil.

Entrando no Hotel Cacique.

Artista - Oi, vocês têm um quarto?
Atendente - Pra casal?

*Tremenda vontade de rir*

Artista - É, pra nós.
Atendente - (Fazendo cara de "Ih, não tem mala? Saquei tudo...") Doze horas são noventa reais.

FACADA!

Menin@ - Mas sim, nós só vamos ficar três horas, pois às duas temos de estar na UNB. (Sorrindo feliz) Quanto você faz?
Atendente - Senhora, eu posso deixar por sessenta reais...
Menin@ - Tá. (Sorrindo e fazendo beicinho) E pra mim, que sou sua amiga? Por quanto você deixa?

Atendente e Artista rindo.

Atendente - (Ainda rindo, jogando duas chaves no balcão) Esse é quarenta, esse é quarenta e cinco.
Menin@ - (Rindo também) Pego a de quarenta e cinco, que eu sei muito bem pra quem vão esses cinco reais...

Peguei a chave com a mão direita, puxei o Artista com a esquerda, e subi a escada.

Quando chegamos na porta do quarto, olhei pra ele e comecei a rir. Ele me olhava como se olha pra uma berinjela vestida com a roupa do Chacrinha.

Artista - Mas sim, me explica, pra onde foi a vergonha?
Menin@ - Perdi, foi pro beleléu. Não há mais TEMPO de ter vergonha...

Mais uma vez, o meu coração caiu de joelhos com aquele sorriso lindo e franco.

Entreguei a chave pra que ele abrisse a porta.
Entramos.

*************************************
continua...


Menina Prodígio se aventurou aqui às 1:35 AM


----------------------

26.1.06

Morena de Cabelos da cor do Rio Negro

Eu amo as casas antigas restauradas, eu amo as bancas de café da manhã que vendem tapioquinha, café com leite e pão com tucumã, eu amo peixe com molho de camarão, eu amo ir em aniversários e encontrar vatapá com maionese e arroz, eu amo show de graça de terça a domingo, eu amo peça teatral de graça, ópera de graça, palhaços na Praça, ruas largas, distâncias compridas, trabalhar de sandália de dedo, motoqueiros andando de regata, músicas que falam sobre barcos, rios, peixes e amores, cantores que você encontra nas baladas, cd's originais a menos de dez reais, uma Universidade que fica dentro de uma reserva florestal, barraca de banana frita na esquina, Sol ardente às nove e chuva torrencial às nove e meia, açaí com farinha de tapioca, pirarucu de casaca, costela de tambaqui, toada de boi-bumbá, discutir sobre Garantido e Caprichoso, Carnaval que termina com cinco escolas empatadas em primeiro lugar...


Gente, eu amo tanto Manaus que vocês nem imaginam.

Nota: reparem no Encontro das Águas, abaixo, à esquerda. Repararam? É mais lindo ainda de perto, viu?


Menina Prodígio se aventurou aqui às 3:13 PM


----------------------

25.1.06

Meus grandes amores.

O Teatro Amazonas.

Porque ele é lindo, porque ele é chique, porque eu entrei nele com oito anos pra assistir um balé e me apaixonei pelo teto do teatro.

Coisa linda da mamãe...


A cúpula do Teatro...

Porque ela é GUEI, MUITO GUEI, porque ela é diferente de qualquer coisa que eu já tenha visto, e porque quando eu era menor, sonhei que entrava num elevador secreto e chegava nela.

Ano passado, eu consegui chegar lá, depois de revirar cada canto mal-assombrado do Teatro.

E lá é o céu. É o céu, nao tem outra palavra.
Melhor que estar no céu é levar junto quem você ama.

Eu já estive nessa parte azul e vermelha.


o Congresso Nacional...

Porque ele é diferente, reto e curvo, com aqueles dois pratos, na ponta no nariz do Avião-Brasília.

E outro motivo que eu só notei na aula de Administração Financeira Pública:

é lá que é a casa do povo. Eu sei, aqueles representantes são o fim da picada, e tudo...Mas o Congresso é o povo, decidindo o país através de seus representantes eleitos.

Gente, isso é muito bonito, muito mesmo. Eu queria que a democracia funcionasse como nos livros de Financeira Pública.

E eu, intuitivamente, sabia que aquele prédio era bem mais que dois pirulitos e dois pratos...

Foto batida por MIM!

A mata da UFAM (a pedido de Cláudia)


Eu estudo aí, ó!

Meus GRANDES amores...


Menina Prodígio se aventurou aqui às 2:45 AM


----------------------



Onde estará?

Estou muito triste, de uma tristeza meio grudenta. Já tentei lavar com água e sabonete, mas ela não estava na pele.

Tentei beber leite com canela, mas ela não estava na boca.

Vesti meu vestido azul, mas não era no corpo que ela estava.

Agora, eu me esforço pra dissolvê-la usando água salgada. Talvez ela esteja nos olhos.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 2:00 AM


----------------------



One day, I'll go dancing on the moon...

Só pra constar: a mamãe estava vendo MTV (ela detesta MTV), e começou a passar o clipe de Someday We'll Know, e eu fiquei tristetristetriste.

"Someday we'll know
Why love can't move a mountain?"

Um dia, né?

E hoje eu tava pensando: este ano eu ainda não o vi.

Eu e ele estávamos pelo msn somando quanto tempo passamos JUNTOS, no sentido dicionárico da coisa.

Somando os dias em que estávamos na mesma cidade,ao mesmo tempo, dá um mês, uma semana e um dia.

"Why ain't you here with me
TONIGHT?"

******************

Pra onde eu tô indo? Onde eu vou chegar? Quanto tempo vai levar?

"I've bought a ticket to end of the rainbow..."

E o que virá depois?

******************

"Why Sanson loves Dalilah?"


Menina Prodígio se aventurou aqui às 1:41 AM


----------------------

22.1.06

Espera

Última aula… Junta os papéis em cima da mesa, os pincéis e os livros... Aquele aluno de sempre vem tirar as dúvidas... Bom, pelo menos ele é interessado, entre tantos que resolvem que estudar na última semana é uma boa estratégia... Ok. Responder, responder...
Abrir a sala... Responder mais perguntas, agora do meu orientando... Sim, amanhã às duas da tarde... É um bom horário, depois da sua aula... E aquela integral? Não saiu? Olha, que tal esse livro? Não, meu querido... Fourier, não Laplace...
Estacionamento... Odeio deixá-la sem carro, mas que posso fazer com o meu costume de sempre acordar quando ela me faz aquele cafuné na cabeça!? Bom, agora quem paga é ela, já que hoje eu tinha que passar prova e não poderia me atrasar... A uma hora dessas ela deve estar dentro do ônibus, pensando o quanto não importa a cidade, sempre os ônibus são lentos e o trânsito não ajuda. Realmente, não importa a cidade...
Ok, carro... Rápido, rápido... Sim, amigo, isso é um carro, não uma charrete... Pode pisar no acelerador... Obrigado...
Trânsito, mais trânsito... Mas tenho que chegar logo. Ok, bairro, rua, essa rua com tantas casas com jardim... Ela que escolheu... Rio ao lembrar da escolha “racional” dela: “Tem jardim! Ótimo! Compramos!”. “Mas filha, você não acha...”. “Ah, você sabe que sempre quis morar numa casa com jardim, né??”
É, eu sei. Para mim um apartamento com samambaia já resolvia o caso, mas como resistir àquele olhar dela?
Estacionar... Sai do carro, abre portão, entra no carro, estaciona, sai do carro, fecha portão... Tudo bem...
Chaves... Ok, a última chave que toca no lado esquerdo do chaveiro... só assim para não se enganar com tantas...
Casa. Ufa... Só quero descansar um pouco... Sofá... Fizemos questão de comprar um parecido com o da mãe dela, que são tão confortáveis. Só um dez minutos de descanso... Como era aquela integral que o aluno me falou?
Tiro o livro, que ela diz que é “Cheio de letrinhas gregas...” Acho uma graça ela tentando entender “as loucuras da minha concorrente”... Ela com as mãos no queixo, me olhando enquanto explico coisas que sei que não são tão simples... Devo confessar que também não entendo nada do trabalho dela, com todas aquelas coisas de gerenciamento de não sei o quê... Mas sim, deixa de viajar em pensamentos e volta à integral...
O barulhinho dela se atrapalhando com as chaves... É sempre o mesmo barulhinho inconfundível... Provavelmente vai reclamar do cadeado e dessa mania de ler com a luz fraca que vem do poste que acabou de acender lá fora... Mas só depois...
“Boa noite”, e aquele sorriso... Ela chega perto e coloca os dedos na minha nuca... Ela sabe o quanto gosto disso...

Deixo o livro cair no chão, e ela deita no meu colo... Mordo o seu queixo e ela me pede “calma”...

Ela sempre acha que dá tempo de chegar ao quarto...


*******************

Sim, foi ele quem escreveu a resposta.

Me digam: esse cara devia ou não ter um blog?


Menina Prodígio se aventurou aqui às 11:21 PM


----------------------

21.1.06

Chegada

Acaba o dia de trabalho. Tiro o casaco e saio do edifício , desço três andares de escada por impaciência de esperar o elevador chegar. Impaciência.

Tudo parece demorar o dobro do tempo. Enquanto subo a ladeira, penso que sapatos de salto são lindos, mas nem um pouco úteis quando se tem pressa. Anoitecer. O ônibus recusa-se a passar. Quando passa, recusa-se a andar depressa. Todos os sinais ficam vermelhos, e todos os caminhões da cidade estão bloqueando meu caminho. Impaciência.

Após longos minutos de tortura e espera, desço do ônibus. Três quarteirões, só faltam três quarteirões.Impaciência. Toc, toc, toc, toc, vinte e um, vinte dois, vinte toc, vinte quatro, toc toc toc, falta pouco. Anoitecer.

Jardim. Anoitecer. Cadeado - MANIA DE TRANCAR ESSE CADEADO, Ô HOMEM... -, fechar portão e cadeado. Porta, chave...chave errada.Impaciência -Sempre é a última chave que a gente tenta. - Chave certa, abrir a porta...

Você. Penumbra. Você lendo, deitado no sofá, as pernas pra cima.Forçando a vista no escuro. Algum desses livros cheios de letras gregas que você usa pra dar aula. "Boa noite." Sorrio. Meus dedos na sua nuca, leveza. Seu suspiro. O de sempre.

O livro de letras gregas escorrega. Eu sentada no seu colo. Leveza. Você morde o meu queixo. -Calma...

Não dá tempo de chegar no quarto.Essa sua impaciência.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 10:53 PM


----------------------

19.1.06

Brasília: o avião, a padaria e a banheira (Parte 2)

Bem, eu e o Artista descemos do ônibus, após a placa indicativa de Núcleo Bandeirantes.

Devo dizer que, quando ouvi falar em SETOR DE MOTÉIS, imaginava algo do tipo setenta motéis, todos com placas de neon, um vizinho do outro, como uma grande feira livre, ou aquelas ruas de camelôs, onde os porteiros bateriam palmas para atrair fregueses.

E me vi desorientada: estava na calçada de uma avenida com cinco pistas, e tudo o que tinha na minha frente era uma ruazinha transversal. Com construções que pareciam casas - e nenhuma placa de neon.

Pensamento: "E agora?"

Artista: E agora?
Menin@: Bem...(olhando pra todos os lados, vendo nada mais que uma rua cheia de casas) Podemos ir por aquela rua e...pedir informação.
Artista: (rindo da minha cara) Mas não é você quem morre de vergonha de perguntar sobre esse tipo de "estabelecimento comercial?"
Menin@: Estamos perdidos, numa cidade estranha, e você vai embora amanhã. Não há tempo a perder...
Artista: (Engolindo em seco) É, amanhã eu vou embora.

(Longa pausa cheia de tristeza)

Menin@: Mas isso é só amanhã! Você está aqui, do meu lado...Eu estou segurando sua mão, lembra?

A gente se abraçou, na calçada de uma avenida com cinco pistas. Eu tive aquela mesma sensação que sempre tenho com ele: que eu sou feita de uma mistura de carne e sonho, que aquelas coisas todas acontecendo (ônibus/cobrador/asfalto/avenida/céu azul de Brasília/setor de motéis) faziam pouco ou nenhum sentido, que eu devia estar na minha casa aproveitando o feriado espremido. Que diabos, por que eu me meti nessa história complicada, se eu sei que ele mora em Belém e eu moro em Manaus, e isso não vai mudar nos próximos dois anos? Porque eu não acabo com isso de ficar esperando avião/dinheiro/oportunidade, e desfaço esse relacionamento doloroso e que sobrevive se alimentando de saudade?

A gente ficou abraçado na calçada um bom tempo. E eu pensando que, assim que ele me soltasse daquele abraço, eu ia dizer pra gente largar de ser besta, voltar pra UNB e levar vida de gente normal, trocando e-mails normais, sem declarações de amor, talvez um texto do Veríssimo. Eu cheguei até a abrir a boca com a intenção séria de dizer isso.

Ele soltou o abraço, me olhou nos olhos e disse:

- É, eu vou embora amanhã, mas amanhã ainda não chegou, e eu ESTOU AQUI COM VOCÊ E SOU O FÍSICO MAIS FELIZ DE BRASÍLIA!

Eu fechei a boca. Aquilo tudo eu posso dizer quando ele estiver indo embora de Brasília, não precisa ser agora. Pensando bem, eu posso dizer ano que vem.

Ele me abraçou de novo e me rodopiou no ar. E eu esqueci tudo o que tinha pensado antes; ora pinóia, que perda de tempo, vamos atravessar logo essas cinco pistas e pedir informação!

Ficamos esperando os carros passarem, e nunca parava de passar carro. Foi ele quem lembrou:

Artista: Ei, em Brasília é só por o pé na rua que os carros param!
Menin@: Nós somos dois nortistas, mesmo!

Botamos o pé na rua, e foi incrível: os carros pararam todos, em fila, esperando a gente passar. Comecei a atravessar correndo, mas ele me segurou:

Artista: Deixa de ser índia, menininh@. Eles vão parar.

Desfilamos na frente de uma fila de carros, rindo muito por estarmos estrelando uma cena tão bizarra.

*****

Ao fim da travessia, chegando na ruazinha, eu vi um senhor de seus cinquenta anos lavando um monza verde (inesquecível), uma criança andando de bicicleta pela rua, muitos carros estacionados, casas com jardim na frente. Nenhuma placa de neon. Nenhum aviso de "Entrada" ou "Saída". Nem mesmo uma luz vermelha acesa em cima de alguma casa.

Menin@- Pedimos informação?
Artista - Pro velho ou pra criança?
Menin@ - ahn...Vamos em frente.

Continuamos andando. Eu falando da visita e das fotos que havia tirado no Eixo Monumental, ele dizendo que todos os colegas iam fazer esse city tour na hora do almoço, e...bem...ele não ia estar lá. Eu falando do quanto tinha sido divertida a noite anterior, mesmo com show da Daniela Mercury, e do quão impressionada eu ficara com a capacidade dela de dançar e cantar ao mesmo tempo - coisa que eu sei ser muito difícil. Ele falando da bagunça que a delegação do Pará fizera durante a viagem de ônibus, passando por Maranhão, Tocantins, Goiás, batendo foto de qualquer coisa, até de nuvens com formato de cupuaçu (só vendo um cupuaçu pra entender a graça da piada). Falou também sobre como estava ansioso para conhecer Manaus, e para fazer a primeira viagem de avião da vida dele.

Escutei um barulho, e olhei pra cima. Era um avião. Riscando o céu azul-paraíso de Brasília, os reflexos do sol quente da manhã batendo na fuselagem. Parecia feito de espelhinhos. Tive um ataque de infância:

Menin@ - Um "vião"! Óla só, o vião vuando lá no chéu de Basília!

Levantei os braços, tentando dar tchau pro piloto do avião. Ele riu um riso triste:

Artista: É num desses que você vai voltar pra casa...
Menin@: Mas você também vai andar de avi...NOSSA!
Artista: NOSSA!

Levamos um tranco, os dois. O avião passou embaixo do sol, acima de nós, e a sombra imensa nos cobriu, como um soco indolor, o melhor susto que já levei. A sombra do avião passou abençoando a nós dois, e eu não precisava de mais nada para ser absolutamente feliz.

Artista: ÉGUA! ÉGUA! ÉGUAAAAAAAAAA!
Menin@: Que FANTÁSTICO! Olha já como é que tô!
Artista: Eu também!
Menin@: ...e foi bem assim, PÁ!
Artista: EU TE AMO!
Menin@: Eu te amo mais!

A gente endoidou e começou a pular rodopiando no meio da rua do Núcleo Bandeirantes. Começamos a rir como duas pessoas que estivessem intoxicadas por oxigênio puro, e ríamos rodando, abraçados, na certeza de que, se tínhamos sido abençoados por um avião, a nossa história de amor podia ser feliz e cheia de aviões voando entre Belém e Manaus. Nos beijamos, e eu estava tão feliz que se alguém me pedisse pra explicar naquela hora, eu iria chorar até inundar Brasília, de tanta comoção.
Como não precisei explicar nada pra ninguém, continuei andando em frente, encostada no ombro do meu amor, de vez em quando apertando a mão dele só pra ter certeza de que ele era real mesmo, que não ia desvanecer-se no ar quando eu fechasse os olhos.
Eu apertava a mão dele, e ele beijava o meu cabelo. Não era como um sonho, era igualzinho à realidade, era a nossa realidade, deliciosa realidade.

**********

Então, já sabem, né?

continua....

***********
Escrevendo agora, eu vi que naqueles dez segundos, eu aprendi a ser feliz sem barreiras, sem censurar as atitudes, sem tentar reprimir o que eu sou.

Eu estou muito abalada pra continuar escrevendo hoje. Perdoem-me, perdoem-me. Amanhã eu volto e conto sobre a padaria e a banheira...Botar tudo por escrito me deixou muito emocionada, estou trêmula e chorando muito, eu preciso ligar agora pro Artista e ouvir a voz dele.


P.S.: Além do mais, hoje, 19 de janeiro, faz um ano e seis meses que eu o conheci, em Cuiabá.
P.P.S.: Parabéns pra nós dois.
P.P.P.S.: Parabéns aos que tem coragem de vencer fronteiras e fazem valer os sentimentos!


Menina Prodígio se aventurou aqui às 2:33 PM


----------------------

15.1.06

Interrompendo Brasília só pra desabafar rapidinho

Bem, esse post vai ser deletado assim que a raiva passar.

Sabe quando você ama muito, muito muito mesmo, uma pessoa?

E quando você vê que essa pessoa que você ama muito está andando com gentinha? Gentinha, da pior espécie, gente burra, metida a besta, tapada, venal, superficial, fútil, preconceituosa, de mau-gosto, cafona, idiota, burra mais uma vez, sem talento, sem brilho, quiçá sem um dos hemisférios cerebrais, sem noção do espaço que ocupa, sem semancol, sem cultura geral ("Tv do Plim-PLim? É um modelo novo?" SIM, SIM, SIM, EU TIVE DE ESCUTAR ISSO!Um símbolo conhecido quase que de forma inata, que TODO MUNDO SABE O QUE É, a gentinha não sabe), sem um pingo de noção do perigo, insinuando que eu sou "pseudo-qualquercoisa-óide", talvez por saber o que significa Plim-Plim, ou que Colônia é uma cidade alemã, ou que a malária é uma doença pouco pesquisada por ser doença de país pobre, ou por eu usar óculos, ou por eu SABER que verbos da primeira conjugação, no futuro do presente, têm desinência ÃO ("Pedrinho e Paulinho estaram(SIC) em Manaus no mês de agosto." SIM, SIM, SIM.). Pela segunda vez, as gentinhas (gentinha vem em bando) me defenestraram, na frente que uma pessoa que eu amo muito, muito, muito.

Eu pensei em sentir pena da pessoa que eu amo muito. Eu pensei em sentir pena do desagradável trio de gentinhas.

Mas eu não acho que Pena seja algo negativo de se sentir. Pena demonstra que você se compadece da tristeza do outro.

Dessas gentinhas, eu tenho é nojo. Muito nojo.

E uma coisa me entristeceu: ver que o amor que eu sentia sofreu um forte abalo, quando a pessoa concordou em me chamar de "pseudo-qualquercoisa-óide". E riu, como se fosse um texto do Pedro Bloch.


Ver o respeito ir pelo ralo é muito, muito triste.


Eu falei que ia deletar quando a raiva passasse...Mas aí pensei: se eu deletar, quem comentou vai perder seu comentário, não?

Então, o post fica aí mesmo. Riscado, pra deixar bem claro que minha raiva passou. Eu estou feliz porque fiz amigos novos, tomei chuva grossa, visitei o Teatro Amazonas com guia, a mamãe fez salada de frutas (e ao invés de leite condensado, botou champanha, ficou ÓTIMA!), participei de uma oficina de teatro, tive conversas ótimas pelo msn, meu médico disse que estou saudável.

Estou feliz pois decidi tocar adiante, sendo ou não pseudo-qualquercoisa. Pois, se eu for isso mesmo, quem tem que achar errado e corrigir sou eu, ninguém mais.

E, a todos os que comentaram, obrigada. Cada um me ensinou mais um pouco, e aprender SEMPRE vale a pena.

Estou mesmo feliz, a raiva passou. Beijo grande a todos, amanhã tem mais Brasília.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 3:45 AM


----------------------

14.1.06

Brasília, o avião, a padaria e a banheira

Brasília.

Eu e ele, no dia do descobrimento do Brasil, fugindo da UNB, pra ir pra um bairro cujo nome era Setor de Motéis. Brasília, uma cidade extremamente organizada, tinha Setor de Autarquias, Setor de Clubes...e Setor de Motéis.

Sentamos na frente do alojamento para esperar o primeiro dos dois ônibus que teríamos de pegar. Comecei a ficar neurótica:

- Artista, já pensou como deve ser o Setor de Motéis?
- Ruas e mais ruas cheias de motéis. Aquelas placas de Neon: "Pousada Coração Valente", "Motel Le Xanadu", "Strangers in the night Hotel Cassino Piano Bar"...
- E um do lado do outro, que nem loja do Centro de Manaus.
- E os porteiros batendo palma, do lado de fora: "Espelho no teto, hidromassagem, água quente, só vinte reais duas horas!" "Se entrarem três pessoas, só duas pagam!"
- Hahahahaha...Putz, será que TODOS os casais de Brasília vão pra esse bairro?

Pegamos o primeiro ônibus. Sentamos. Eu encostei minha cabeça no ombro dele, ele passou o braço ao redor. A gente se olhou, e eu disse:

- A gente é TÃO normal. Um casal normal, sabe? Ninguém nesse ônibus faz idéia de que nós dois..moramos separados pelo rio e a floresta, e quilômetros, e falta de estradas, e...
- Eu sei. (Ele me abraçou e beijou minha nuca.) Somos dois namorados, andando de ônibus.
- ...e indo pro setor de motéis! hahahaha!
- hahahaha!

***************

Chegando à Rodoviária do Plano Piloto (que nada mais é que um tremendo Teminal), eu tenho um ataque de leseira. A impressão que tenho é que, ao perguntarmos onde fica o Núcleo Bandeirante, toda Brasília vai olhar pra mim e saber o que eu estou querendo...ahn...fazer.

- Artista?
- Fala, meu amor.
- Pergunta aí... Tô com vergonha.
- E se a gente escolhesse um casal com cara de que tá a fim e seguisse? O ônibus que eles pegassem, era o nosso!
- Tá doido?
- hehehe, vou perguntar pro guardinhhhhhhhhhhha. (Ele é paraense, imaginem o nh paraense.) Seu guarda, qual ônibus a gente pega pra ir pro Set...Nücleo Bandeirante, ou Samambaia?
- Ah, aquele ali, ó.

O guarda, normalíssimo.

- Artista, acho que todo casal novato pergunta isso pra ele!
- Repara, Menin@: tem dois casais na fila.
- Eu sabia!

Fila, espera de ônibus, até que ele chega, uma plaquinha na frente: N. Bandeirantes.

Subimos apressadamente, eu MORRENDO DE VERGONHA. Parecia que eu estava pegando Condução Escolar...para maiores.

Cobrador: - Falta dinheiro, aqui.
Artista: - A passagem é um e vinte, não?
Cobrador: Pra esse aqui, é dois e dez.

Menin@ pensando: Será que é porque vai pro Setor de Motéis? Comissão?

Artista: Porquê?
Cobrador: Porque sai do Plano Piloto.
Casal-Interestadual: Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh, bom... (risadas)

Acho que o cobrador não entendeu.

***************

Sentadinhos, de mãos dadas. Na cadeira mais próxima do cobrador.

- Menin@, agora temos um problema.
- ? (Quem me conhece sabe que eu sei fazer CARA de ponto de interrogação.)
- Para onde vamos?
- Ué, pro Set...Núcleo Bandeirante.
- Sim, e chegando lá? Pra qual mot...estabelecimento nós vamos?
- ...
- E se a gente perguntasse do cobrador? (levantando)
- TÁ DOIDO? (puxando de volta)
- Mas é sério, pensa: a gente não conhece nada. Telefone, a gente não tem, e se tivesse, ia ligar pra quem? Pro Poeta Matemático?
- NUNCA! Eu ia morrer! Justo ele?
- Porquê?
- Porque eu prometi pra ele que vinha pra participar do EVENTO...e não, fazer um evento particular, com você.
- Mas eu nem sabia se vinha. Foi de última hora!
- Mas eu prometi.
- Bem...TODO MUNDO vai sacar que a gente fugiu, hehehe, mas a gente pode fazer de conta que não entendeu!
- Hahaha, é isso. Pergunta então pro cobrador em qual parada a gente desce.

Artista: - Senhor, pra ir pro núcleo bandeirante, onde nós descemos?
Cobrador - Óia, vai andar MUITO ainda. Depois que passar o Ponto de Referência Snevels, vocês descem e entram à esquerda.
Menin@ - E quanto tempo leva pra chegar lá?
Cobrador - Ah, uns TRINTA MINUTOS. Quando tiver perto, eu aviso vocês.

Eu murchei. Já eram dez da manhã, mais meia hora, mais procurar o estabelecimento, onze, e a gente só tinha até duas horas pra voltar pra UNB! O almoço ia dançar.

Artista - Não vamos poder almoçar.
Menin@ - É...
Artista - E precisa? (sorriso)

De novo, meu coração tropeçou e caiu de joelhos na frente daquele sorriso.

******
Trinta minutos.

Menin@-prodígio avista o Ponto de Referência Snevels, mas passou muito rápido.
Artista confia no cobrador, e diz que ele vai avisar quando chegar a parada.
Menin@-Prodígio lê na placa: Núcleo Bandeirante à esquerda...

O Ônibus continua em frente...Menin@-prodígio sente o chamado da intuição e desce correndo, seguida por Artista.

Quando os dois já estão na calçada, o cobrador bota o corpo pra fora e diz:

Cobrador: - Vocês descem aqui!

Menin@ e Artista percebem que podem estar perdidos...

***********

e porque o título do post?

Continua...em breve.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 12:07 AM


----------------------

12.1.06

Notícias de uma terra estranha

Caramba. Vai um post diarinho, pois o mundo gira e gira...

Bem, eu sou muito nova, tenho vinte anos. Se eu quisesse fazer ginástica Rítmica, seria considerada irremediavelmente velha. Se eu quisesse adotar uma criança, ia ter quem me achasse nova demais.

Mas como eu ia dizendo, tenho vinte anos. Se é pouco, se é muito, não sei ao certo, sei que são vinte anos.

E, desde que eu fiz algumas leituras, despertou em mim aquela concepção do carpe diem. Sabe como é: viva o dia, viva intensamente, não deixe pra depois. Isso é forte, forte, em mim. E me ajudou a viver experiências legais.

Eu já rolei na grama de Brasília. Já gastei vinte reais pra dar presentes pra gente que eu nunca vi. Já fiquei duas horas deitada olhando pro céu azul, aprendendo a voar com o primeiro amor da minha vida (e o primeiro amor é um só). Já ri muito alto. Já bati nos meus amigos quando eles contavam uma piada. Já transei em silêncio, pois não dava pra esperar mais nenhum minuto e tinha gente com ouvidos sensíveis no quarto ao lado. Já gritei muito, muito, pois a felicidade subia pela garganta, e o prazer se espalhava em ondas ao meu redor. Já abracei, já beijei amiga na boca porque a amizade era grande demais.

Ou seja, já vivi várias coisas intensas. Bem, eu tento tornar intenso tudo o que vivo.

Cara...Aí vem aquela coisa estranha, você chega em casa e a sua mãe te diz que aquele seu ex-namorado, (aquele, que foi muito importante, que te ajudou a superar a morte do seu pai, que tirou dinheiro do bolso pra botar comida na sua casa enquanto seu pai e sua mãe estavam em outra cidade imersos em tratamentos hospitalares, que te fez entender a diferença entre pegar por cima e por dentro da blusa, que é o dono do primeiro pau que você viu, que foi morar em outra cidade te deixando completamente despedaçada aos dezessete anos, que te mandava cartas cheias de palavras dolorosas, com quem você brigou por e-mail, telefone, carta, pensamento, por quem você nutriu ódio, amor, ciúme louco, dor, arrependimento, e de quem você foi enxergando os defeitos e limitações, que deixou de merecer seu ódio e seu amor, que foi se tornando uma lembrança distante e até sem nexo, em quem você às vezes pensa e parece uma miragem ou um filme que você viu na TV, e em quem você nunca mais pensou...Que parêntese enorme...Como eu dizia, aquele seu ex-namorado) está CASADO com uma moça que ele conheceu no novo trabalho, e ligou pra dizer pra SUA MÃE, que ele está muito feliz e que feliz Natal e bom Ano-Novo...

Bem, você recebe a notícia, sorri, fala pra sua mãe "Nossa, que máximo, ele casado", e vai se trancar no banheiro pra pensar em como a vida não tem o menor nexo.

"Casado? Meu Deus, como?"

E você tenta identificar o que está sentindo, e faz uma lista:

1- Estupefação
2- Susto
3- Vontade de rir
4- Ciúme
5- Alegria por ele.

E aí você lembra de uma aula da faculdade, onde sua professora favorita dizia: "O ciúme diz de um lugar ao qual você não pertence. "

E você vê que é isso mesmo, você sente ciúme não DELE, mas da vida que ele tem SEM VOCÊ, do cotidiano do qual VOCÊ NÃO FAZ PARTE, da história à qual você deixou de pertencer.

Dói um pouquinho, mas você consegue ficar só com os itens 3 e 5. E decide que a vida tem de ser vivida dia após dia, com uma noite no meio.

E você começa a planejar uma sobremesa diferente, pra fazer pros seus amigos que virão de longe.

E você pensa que, caramba, o Artista tem razão, o mundo é mesmo uma coisa mágica e fantástica.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 12:06 AM


----------------------

11.1.06

Fuga

Estou rolando de rir, e vocês vão já saber o porquê.

Eu não acreditava quando os autores diziam perder o controle dos personagens.
Pois bem. Sabe o Jorge, do post anterior? Já deu a versão dele para os fatos... Confira aqui a versão do Jorge, que explica porque ele levou as duas intrometidas.

E mais: Confira aqui o reencontro de Jorge e a Pernuda, dezessete anos depois. E percebam que mulheres mudam muito pouco com o passar dos anos.

E mais ainda: Descubra aqui a verdadeira identidade de Jorge.

Pessoal, vocês são ótimos. Eu NUNCA me diverti tanto com uma história.

P.S.: Muito obrigada, Poeta Matemático, Cláudia e Arno, que entenderam o espírito da brincadeira.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 10:42 PM


----------------------

8.1.06

Banheiro feminino

- Filho da puta!
- Hã?
- *sopro raivoso* Eu queria dar pra ele e o idiota não notou!
- Quem?
- O Jorge...
- *olhos arregalados* Amiga, tu e o Jorge tão se pegando?
- Estávamos, agora não mais. Filho da puta.
- Ah, mas é assim mesmo, semana que vem você tenta de novo.
- Não, mas hoje era o último dia em que eu poderia dar pra ele.
- ?
- Esqueceu que eu tenho um casamento pra ir dia 28?
- E...?
- Bem, se eu for pro casamento dia 28, tenho de depilar a perna dia 26. Pra poder depilar com cera, tenho que deixar crescer durante quinze dias...Então, a partir do dia 11, nada de gilete. Hoje é dia 10, domingo. Eu tinha que ter dado ontem, que era sábado e eu podia chegar de madrugada em casa.
- Você transa de acordo com a sua depilação?
- Pode me chamar de neurótica.
- E em quê isso torna o Jorge um Filho da puta?
- A gente saiu sexta. Eu queria dar pra ele, mas não sabia se ia rolar ou não. Então, fuide calça comprida e levei a gilete na bolsa; se pintasse o clima, era só procurar o banheiro mais próximo.
- E pintou?
- Aí é que tá. Pintou UM clima, mas não rolou porque tinha uns amigos nossos lá, e tal...Mas quando a gente se despediu, ele me beliscou, sabe?
- No braço ou na cintura?
- Na cintura...
- Então ele realmente tava a fim!
- LÓGICO! Aí, eu pensei: "Hoje não deu, mas amanhã eu dou!" E convidei o Jorge pra sair. Ele rindo, sabe como é o Jorge, "se é pra diversão, pode me chamar!".
- E no sábado?
- Eu devia ter adivinhado. Devia ter levado a gilete na bolsa e pronto. Mas aí eu pensei que as minhas chances de dar seriam elevadas se eu usasse saia...E aí, tive de tomar aquele banho, esfregar com esponja, passar esfoliante, tomar cuidado pra não me cortar...
- Mas você nao é alérgica a gilete?
- O que eu não faço pra dar pro Jorge? Cá pra nós, aquele homem é alguma divindade hindu reencarnada no Brasil pra fazer as mulheres felizes na cama. Pelamor, nunca vi nada tão grand...ioso.
- *ar sonhador* É...
- Como é que você sabe?
- Hã, eu? Sei de nada, bobagem sua. Me conta, como foi no sábado?
- *Desconfiada* Huuuum...como eu tava dizendo, botei um vestido preto que fica quatro dedos acima do joelho. Uma coisa eu descobri: se você mostra demais, o homem aprecia, baba, mas se você mostra só um pouco o homem delira. Certo, botei o vestido e fui, toda perfumada e de pulseira, pro lugar combinado.
- E o Jorge?
- Primeiro, começou com um papinho de mandar mensagem pro meu celular dizendo que não tinha certeza se ia poder ir; depois, confirmou que ia, mas ia chegar meio atrasado. Quando enfim ele chegou, quarenta e dois minutos depois de me ligar dizendo que já estava a caminho, foi o golpe de misericórdia. - O que foi?
- Veio trazendo mais duas amigas....
- FILHO DA PUTA!
- Não disse? Além de ter desperdiçado meu último dia útil pra sexo do mês, estou com a perna pipocando de alergia...
- Filho da puta...

****************

O Jorge passou dois meses tentando entender porque aquela menina da perna grossa parou de sair com ele. Ele jura que não fez nada; ela diz pra todo mundo que ele é um panaca que não sabe valorizar uma mulher.

Mas eu sei, eu sei, que a culpa é toda da gilete.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 1:15 AM


----------------------

7.1.06

Menin@-Prodígio Viana Teles Veloso

Ele, ele, sempre ele.

Chico é Messias, Tom é Deus, Roberto é o Rei, mas ele é sempre meu profeta.

Há oito ou nove meses atrás, eu estava num SUPERmercadINHO (em Manaus tem dessas coisas), comprando pão. E escutei a voz de um homem, de voz grossa, tocando um violão lindo, o tipo de música que eu adoro, com harmonia rica, letra cheia de metáforas e melodia que derrete o coração. Achei que fosse algum cantor amazonense, meu ouvido se aguçou, e procurei de onde vinha o som...Era do radinho do rapaz do caixa. Eu fiquei prestando o máximo de atenção, pra pescar algo.

E pesquei um dos versos mais bonitos da Música Brasileira: "Me dá um beijo com tudo de bom e acende a noite na Guanabara". E imediatamente eu imaginei o céu cheio de estrelas, a lua branquinha, refletindo na água escura... E tudo isso por causa da moça-musa, que acendeu a noite. Tem uns homens que sabem fazer declaração de amor, viu?

Voltei a prestar atenção no radinho, pra tentar decorar um trechinho da música e procurar mais tarde no Google. Decorei o refrão: "Você me dá sorte, meu amor...Você me dá sorte na vida..." E não parei de cantar, pra não esquecer.

Cheguei em casa com o pão, e corri pra anotar na caderneta que fica do lado do telefone. E ficou por isso mesmo.

Às vezes, sempre quando eu estava longe do computador, eu lembrava do refrão, e me desesperava por não saber a música. E ficava cantando o mísero trecho que sabia ("Você me dá sorte, meu amor...") incessantemente, pois eu sou obssessivo-compulsiva com músicas e frases musicais, como já disse.
Sou exagerada: cheguei a cantar essa mesma frase durante uma tarde inteira. Meu colega de turma até brincou comigo: "Se repetir mais uma vez, eu vou acabar acreditando mesmo e te mando jogar na loteria!"

E, quando estava perto do computador, não lembrava de Googlar e procurar a tal da música.

*************************

Bem. Bem. Outro dia, ouvindo uma rádio experimental daqui, que só toca músicas que já deixaram de tocar há muito tempo, escuto a voz da Gal:

"Você me dá sorte, meu amor..."

Gritei pra mamãe-prodígio:

- AUMEEEEEEEEEEEEEENTA, MÃE!

Ela aumentou, e a Gal encheu a casa:

Tudo de bom que você me fizer
Faz minha rima ficar mais rara
O que você faz me ajuda a cantar
Põe um sorriso na minha cara

Meu amor, você me dá sorte
Meu amor, você me dá sorte
Meu amor, você me dá sorte na vida

Era a glória! A música era tão linda quanto eu acreditava que ela fosse, e era o tipo de música que eu gosto, e quem estava cantando era a GAL! Podia ser melhor? Podia?

PODIA. Um grande amigo da Gal começou a cantar a segunda estrofe:

Quando te vejo não saio do tom
Mas meu desejo já se repara
Me dá um beijo com tudo de bom
E acende a noite na Guanabara

Meu amor, você me dá sorte
Meu amor, você me dá sorte
Meu amor, você me dá sorte de cara

*************************

Fiquei embevecida, escutando o arranjo lindo, o jeito bonito com que eles dividiram as vozes na música, a sensação de prazer por ouvir a música tocar no rádio. Veio um sentimento bom, o coração ficando feliz, e aquela declaração de amor ecoando nas paredes da minha casa.

E eu comprovei que gosto do Caetano até sem saber que a música é dele.

P.S.: Os compositores são Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, e olha só mais uma vez: Ronaldo Bastos é ligado ao Clube da Esquina, e eu também sou alucinada pelos meninos. Tá no coração, é o jeito de fazer e de cantar... Eu ouço e o ouvido responde, os sentimentos se suavizam e dá vontade de dançar flutuando por aí. Não preciso saber de quem é, minha alma reconhece a canção que traduz o que eu sinto.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 12:18 AM


----------------------

3.1.06

Tradições II

Outra tradição que diz respeito às festas de fim de ano, e que eu adoro, é a do (rufem os tambores) Lanche de Reis.

O inigualável (rufem os tambores) Lanche de Reis é um conjunto de cheiros e texturas que minha mãe aprendeu com minha vó.....

Não achei no São Google nenhuma referência ao que minha mãe prepara no (rufem os tambores) Lanche de Reis..Então, já vi que vou ter de explicar pra vocês.

Minha mãe é filha da minha avó (dã) que vem de uma família portuguesa com certeza. Suponho que essa tradição seja portuguesa, mas não posso afirmar.

Minha avó mandava fazer pastel de santa clara, fios de ovos. Preparava chá e chocolate quente, botava as melhores louças (portuguesas) na mesa e fazia a "viúva". "Viúva" é um creminho amarelinho e veludoso, feito com ovos batidos com açúcar, baunilha e canela, que fica parecendo uma gemada , feito pra ser posto sobre o chocolate ou o chá. Então, queimava uma palha da manjedoura do Menino-Jesus, acendia Incenso para os Santos Reis e todos rezavam.

Minha mãe adaptou um pouco a tradição, mas eu me lembro do cheiro de canela e baunilha e incenso, da novidade de tomar chocolate com "espuma de ovo", dos bolinhos (comprados na padaria, que minha mãe é muito prática), da palhinha do berço do Menino-Jesus sendo queimada por mim e da gente desarrumando a decoração de Natal.

Sim, pois outra tradição é que os enfeites saem da caixa no dia 25 de novembro e no dia de Reis se desarruma a árvore e se devolvem as lâmpadas pra caixa.

E mais uma vez, eu repito: não entendo como pode existir gente que deteste o Natal. Será que você tem que ter um Gene Joaquim - Manuel pra gostar do Natal?
Pois eu vou continuar fazendo chocolate com viúva pra tomar todo dia seis de janeiro no (rufem os tambores) Lanche de Reis.

P.S.: Você, que mora em Manaus: quer participar? Deixe seu e-mail nos comentários.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 9:33 PM


----------------------

1.1.06

O melhor de todos

Há algum tempo, eu mando e-mails para uma lista de pessoas que são muito especiais pra mim.

Nesses e-mails, escrevo textos, impressões, dou dicas de internet. Uma maneira de fazer um carinho, sem precisar mandar um Power Point, ou uma crônica que pode ou não ser do Luiz Fernando Veríssimo (queria ver alguém mandando um texto do ÉRICO por e-mail) .

E, nessa minha lista, está o Irmão-Prodígio. Meu Irmão é lindo, alto, careca (Endora, Endora, você ia gostar), gosta de Nação Zumbi e tem um ótimo trabalho. Ele é dez anos mais velho que eu, em toda a minha vida eu só o vi durante uns quinze dias, mas através do e-mail, descobri que ele é um cara LEGAL. E, além de tudo, é inteligente. Sintam só:

" Minha cara irmã.
Requisito espaço pra um pequeno desabafo.
Quesefoda toda a preguiça de pensar,
Tománocú toda a preguiça de produzir,
Pramerda com toda a preguiça de se expressar,
Vãopraporra todos os papais noéis em powerpoint,
Taquilparil, eu quero apenas mostrar que eu desejo o melhor pra quem eu amo,
Mas não consigo não me revoltar profundamente com o tédio pré-fabricado e/ou pasteurizado que me cerca!

Irmão Prodígio.

Atolado de mensagens babacas e superficiais. Meio puto, chulo até dizer chega.Caralho, a chulice é diretamente proporcional ao meu desejo de um feliz ano novo pra você.
De ser pensante pra ser pensante.Oi! (ET-Phone-Home!)"


Bem, aproveitando o que meu irmão disse, desejo que nesse ano, TODO MUNDO FODA E NINGUÉM SE FODA!

( Inclusive eu, que ninguém é de ferro.)



P.S.:Ele fala Taquilparil do mesmo jeito que eu!

Eu AMO a internet.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 9:42 PM


----------------------



"Todas las mañanas que vivi"

Mudou o ano. Sim,mudou o ano, mas e daí?

Descobri isso quando vi, na virada falsa do milênio, que enquanto eu almoçava, já iniciara o ano 2000 na Austrália.

E foi quando eu vi que todo dia é um ano novo, que a Terra gira e retorna ao mesmo lugar em relação ao Sol. Que todo dia pode ser um reveillon.

"Todos giran y giran, todos bajo él sol..."

E eu tento, eu tento, eu tento, ver o milagre de cada dia. Confesso que este ano foi particularmente difícil, pois acordar de manhã equivalia a sair pra trabalhar num lugar que não me ensina coisas novas. Mas, tentei transferir meu milagre diário para o pôr-do-sol, e ao sair do trabalho tive inúmeros milagres, com céu cor-de-rosa e passarinhos cantando.

"Yo te conosco de antes
desde antes de ayer...

E, há um ano atrás, tinha um rapaz moreno se ajoelhando na minha frente e dizendo que queria me ver chegar em casa todos os dias.
E durante todo o ano , o meu coração caía de joelhos todos os dias, ao lembrar do sorriso dele, ao ler as palavras que ele escrevia pra mim, durante as noites de tristeza e desamparo.
Quando estou longe dele, espero o reencontro. Quando estou com ele, somos normais! Um casal de namorados andando de mãos dadas, em Manaus, Belém, ou Brasília, sem musiquinha romântica tocando no fundo. Não estamos vivendo um amor de livro ou filme, vivemos o nosso amor, que é singelo e natural.
E eu gosto desse amor.

"llevo la voz cantante
llevo la luz del ayer
llevo un destino errante
llevo tus marcas en mi piel
y hoy solo te vuelvo a ver."

Este ano? Sei que tenho um emprego e uma faculdade a terminar. Sei que quero largar o emprego e fazer mestrado. Mas esse ano não dá. Uma palavra para 2006: transição. Esperar e semear.

"Y hoy solo te vuelvo a ver..."

Este ano quero rever pessoas de quem me distanciei por ser relapsa.
Este ano, quero comprar mais presentes, escrever mais cartas, bater mais fotos, ler mais livros.
Este ano, quero dançar toda sexta.
Este ano, quero brincar com as crianças, fortalecer minha fé.
Este ano, quero começar a me preparar para ser mãe. Isso inclui várias mudanças em meus pensamentos e atitudes e hábitos.
Este ano, quero rir muito. Quero ser mais descontraída. Quero me envolver com causas.
Este ano, quero ser mais Menina, menos prodígio.

Este ano, vou escrever mais e voltar a acalentar alguns planos que estavam adormecidos.
Este ano, vou escrever em um lugar melhor.
Este ano, vou acreditar mais nos outros. Vou acreditar mais em mim.

E vou continuar acreditando na vida, vou continuar indo na fé, vou continuar dividindo meu amor pelo mundo com quem estiver a fim de ser amado.

Não querendo...Alt+f4 é a serventia da casa...
Querendo, é só chegar perto e me dar um abraço.

Feliz Ano Todo.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 7:16 PM


----------------------

Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

Todo dia uma aventura nova. Toda semana uma odisséia. De vez em quando uma atualização


Gostos:

*Cheiro de Fanta Morango* *Sabor de hortelã* *Lençol acetinado* *Violão* *Bolero* *Lua cheia* *Teatro* *Bossa Nova* *Clube da Esquina* *Massagem com óleo Johnson's* *Conjectura de Poincaré* *Beijo no pescoço* *Abacaxi geladinho* *Falar sem parar*



Aventuras em grupo


Sotaques, um blog globalizado
O melhor blog da Internet Galáctica

Blogs

Licor de Marula com flocos de milho açucarados
Alma em Punho
Apostos
appothekaryum
\o/Bloggette
Balde de Gelo
Blog de papel
Cala a boca, que eu tô falando!
Catarro
Oh, Bravo Figaro!
Cartas Curtas
O Coyote é Físico teórico! [E tem cara de artista]
Cumequié?
Copy and Paste
Drops da Fal
Não gostou? Vem me pegar!
Mau humor, mentiras e fé patológica
Mad Tea Party
Pensar Enlouquece, pense nisso.
Blog de Gestão
Gravataí Merengue
Caryorker
O biscoito fino e a massa
John Doe - Juventude, sobriedade e poesia
Jesus, me chicoteia!
Louca por blog? É a mãe! A margarida Inventada
Marmota, mais dos mesmos...
Megeras Magérrimas
Não discuto, por Ticcia Antoniette
Nóvoa em folha
Luabella e suas fases
Liberal, Libertário, Libertino
poliCARPE DI EMili
O estupendo Poeta Matemático [Trinomial e o escambau]
Menina Mateira que não posta nunca
Madame Mean

Sites

Cocadaboa
Malvados
Omelete
Embarque


Frase que fez clique

"Brilhar pra sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é pra brilhar,
que tudo mais vá pro inferno,
este é o meu slogan
e o do sol."
Wladimir Maiakóvski
Fonte: Anvörg


Arquivos