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12.1.06

Notícias de uma terra estranha

Caramba. Vai um post diarinho, pois o mundo gira e gira...

Bem, eu sou muito nova, tenho vinte anos. Se eu quisesse fazer ginástica Rítmica, seria considerada irremediavelmente velha. Se eu quisesse adotar uma criança, ia ter quem me achasse nova demais.

Mas como eu ia dizendo, tenho vinte anos. Se é pouco, se é muito, não sei ao certo, sei que são vinte anos.

E, desde que eu fiz algumas leituras, despertou em mim aquela concepção do carpe diem. Sabe como é: viva o dia, viva intensamente, não deixe pra depois. Isso é forte, forte, em mim. E me ajudou a viver experiências legais.

Eu já rolei na grama de Brasília. Já gastei vinte reais pra dar presentes pra gente que eu nunca vi. Já fiquei duas horas deitada olhando pro céu azul, aprendendo a voar com o primeiro amor da minha vida (e o primeiro amor é um só). Já ri muito alto. Já bati nos meus amigos quando eles contavam uma piada. Já transei em silêncio, pois não dava pra esperar mais nenhum minuto e tinha gente com ouvidos sensíveis no quarto ao lado. Já gritei muito, muito, pois a felicidade subia pela garganta, e o prazer se espalhava em ondas ao meu redor. Já abracei, já beijei amiga na boca porque a amizade era grande demais.

Ou seja, já vivi várias coisas intensas. Bem, eu tento tornar intenso tudo o que vivo.

Cara...Aí vem aquela coisa estranha, você chega em casa e a sua mãe te diz que aquele seu ex-namorado, (aquele, que foi muito importante, que te ajudou a superar a morte do seu pai, que tirou dinheiro do bolso pra botar comida na sua casa enquanto seu pai e sua mãe estavam em outra cidade imersos em tratamentos hospitalares, que te fez entender a diferença entre pegar por cima e por dentro da blusa, que é o dono do primeiro pau que você viu, que foi morar em outra cidade te deixando completamente despedaçada aos dezessete anos, que te mandava cartas cheias de palavras dolorosas, com quem você brigou por e-mail, telefone, carta, pensamento, por quem você nutriu ódio, amor, ciúme louco, dor, arrependimento, e de quem você foi enxergando os defeitos e limitações, que deixou de merecer seu ódio e seu amor, que foi se tornando uma lembrança distante e até sem nexo, em quem você às vezes pensa e parece uma miragem ou um filme que você viu na TV, e em quem você nunca mais pensou...Que parêntese enorme...Como eu dizia, aquele seu ex-namorado) está CASADO com uma moça que ele conheceu no novo trabalho, e ligou pra dizer pra SUA MÃE, que ele está muito feliz e que feliz Natal e bom Ano-Novo...

Bem, você recebe a notícia, sorri, fala pra sua mãe "Nossa, que máximo, ele casado", e vai se trancar no banheiro pra pensar em como a vida não tem o menor nexo.

"Casado? Meu Deus, como?"

E você tenta identificar o que está sentindo, e faz uma lista:

1- Estupefação
2- Susto
3- Vontade de rir
4- Ciúme
5- Alegria por ele.

E aí você lembra de uma aula da faculdade, onde sua professora favorita dizia: "O ciúme diz de um lugar ao qual você não pertence. "

E você vê que é isso mesmo, você sente ciúme não DELE, mas da vida que ele tem SEM VOCÊ, do cotidiano do qual VOCÊ NÃO FAZ PARTE, da história à qual você deixou de pertencer.

Dói um pouquinho, mas você consegue ficar só com os itens 3 e 5. E decide que a vida tem de ser vivida dia após dia, com uma noite no meio.

E você começa a planejar uma sobremesa diferente, pra fazer pros seus amigos que virão de longe.

E você pensa que, caramba, o Artista tem razão, o mundo é mesmo uma coisa mágica e fantástica.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 12:06 AM


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Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

Todo dia uma aventura nova. Toda semana uma odisséia. De vez em quando uma atualização


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Fonte: Anvörg


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