<BODY>
30.4.06

satisfações

Estou relapsa...
Tá, lá vai listinha:
* Vou terminar a saga de brasília antes que ela faça dois anos (um ano já fez)
* não vou fazer outra saga contando como foi o evento que os meus amigos me ajudaram a fazer aqui
* Não vou dizer que ainda não acabei de comer meu ovo de páscoa
* Não vou reclamar de dor na coxa.

(Menina-Prodígio sai mancando.)


Menina Prodígio se aventurou aqui às 2:28 PM


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24.4.06

Adaptação



Se avião, se avião fosse um carro,
eu freiava, eu freiava desde já,
eu grudava, eu grudava ele no chão,
para o meu, para o meu amor ficar...

Ele? Deve estar chegando na casa dele, com os pais dele, o irmão dele.

Eu? Estou na minha casa, com meu computador, minha mãe, minha cama.

Os dias? Foram dez dias cheios de felicidade.

Manaus? Foi acolhedora, suave e cheia de mistérios.
Belém? Está me esperando chegar.

Os amigos? Voltaram pra casa. Poeta Matemático, Boné, Amigo-Paisagem.
As amigas? Me deram uma força incrível. Jéssica, Rô.
Os momentos? Foram intensamente felizes e engraçados, como a vida real é.

E parecia um sonho.


A vida? Nunca mais vai ser a mesma.



Menina Prodígio se aventurou aqui às 10:08 PM


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16.4.06

Pessach

Sábado de aleluia.
Sete e meia da noite, o encontrei,rindo com os meus amigos. Fomos jogar boliche.
Eu perdi duas vezes.

***

Dez horas da noite, nós dois sentados no banco da praça que é meu lugar favorito na cidade, sob a sombra do Teatro mais lindo do meu mundo.

Lua Cheia(em maiúsculas mesmo) no céu.

Ele segurou a minha mão e eu contei pra ele como tinha sido o meu dia, esperando o eletricista consertar a torneira (não perguntem), pra poder tomar banho e sair para encontrá-lo.

A gente conversou sobre rituais celtas, calendário lunar, equinócios de primavera. A gente conversou de mãos dadas, sentados no banco da praça.

Depois, demos muitas voltas ao redor do Monumento à Abertura dos Portos, analisando os detalhes. Descobrimos que o navio representativo da África tem nele inscritos hiéróglifos, e carrega um menino com presas de elefante pousadas no colo; vimos que não há navio representativo da Oceania, apesar dela já haver sido "descoberta" há quase cem anos na data da inauguração do monumento.

Ele me ensinou que quando há duas fontes de ondas, ocorrem interferências construtivas e destrutivas. E nós ficamos fazendo ondas na superfície da água da fonte. Palavras dele: "Tem lugares em que a onda é mais forte pois se encontraram duas ondas. Tem lugares sem onda...pois se encontraram duas ondas!" Palavras minhas: "Parecem as ondinhas da banheira de Brasília."

Pedimos permissão e pisamos na grama para ler os nomes das quatro musas cujas estátuas estão ao redor do Teatro. Calíope, musa da Poesia Épica (feinha, com um pergaminho na mão); Melpomene,Musa da Tragédia(antes de sabermos que era a Musa da Tragédia, já a achamos muito triste, coberta por um manto); Euterpe, Musa da Música(que tem na sacola uma lira feita por um casco de tartaruga e dois chifres de bode ); Talia, Musa da Comédia(a mais bonita de todas, que carrega um ramo de folhas numa mão e uma espada na outra. Não conseguimos atinar o porquê da espada).

Vimos que nas colunas da entrada do teatro, há dois espaços para afixar cartazes. Vimos os músicos saindo, onze horas da noite, do ensaio para o Festival de Ópera.

Vimos Manaus indo dormir cedo, às onze da noite. E fomos passar a noite juntos.

****
Para que eu não me esqueça:

"Querida, você joga boliche MUITO MAL..." - e eu respondi que não jogo mal, apenas estava jogando de mau jeito.
"Lobisomem não é Greenpeace...Bem, só os Filhos de Gaia." - e eu fiquei com medinho e comecei a ouvir coisas estranhas vindo da janela.
"Querida, você me pediu pra te acordar às cinco, já são cinco e meia, e eu tenho que te dizer que você é linda dormindo." - e eu nao consegui responder nada.

****

Vimos Manaus acordando, às seis da manhã. O Domingo de Páscoa amanheceu claro, azul e bonito. E nós estávamos juntos, sem causar mal a ninguém, conscientes de estar vivendo uma felicidade imensa, imensa, imensa.

Fui tomar café na minha casa, e ainda o vi na parada de ônibus, andando naquele passo que balança.

Foi só dentro do ônibus que eu me permiti chorar de felicidade.
E agora, também.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 10:21 PM


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15.4.06

Then you come to me, on a summer breeze...

Ele chegou.

Eu fui encontrá-lo. Desci no Colégio Militar, andei na direção do Teatro Amazonas, debaixo da maior chuva. Hunf, não sou feita de goma pra ter medo de chuva...

Pegando a maior chuva, vi o Teatro se aproximando. "Combinei com ele na frente do Teatro, será que ele já chegou?"

Atravessei a Eduardo Ribeiro morrendo de medo de escorregar, e com muita vontade de correr.

Pisei no Largo e a chuva redobrou de força. Vi primeiro um guarda-chuva azul. Nem liguei.

Abaixei a cabeça e continuei andando. Olhei de novo pro carinha do Guarda-chuva azul, e reconheci o jeito de andar.

E eu, que tinha imaginado durante MESES que ia sair correndo e gritando, com querubins de bunda de fora e trilha sonora do Kenny G ao fundo, só consegui sorrir e ver que era o meu namorado ali, me esperando.

O abracei, senti o perfume, abracei e fiquei lá. Tinha umas crianças de rua rindo na praça. Eu pedi:

- Deixa a gente pegar chuva, deixa?
- Pois não...

Ele abaixou o guarda-chuva azul e a gente se abraçou e se beijou na chuva, os óculos dele cheios de gotinhas de água, o Teatro Amazonas atrás de mim, as charretes estacionadas atrás dele.

Olhei pra ele:

- Tá com fome?
- Tô! Onde é o lugar que vendia carne na Sexta-Feira Santa?
- Ahn... Deixa eu explicar... Até tinha o lugar, mas na sexta Feira eles fecharam. Aí, tinha o lugar que vendia sushi, mas eu telefonei primeiro, e é absurdamente caro. O prato INDIVIDUAL mais barato custa $$$.
- Nossa! Não dava pra pegar uns peixinhos do Rio Negro não?
- Pois é... Mas lá tem um aquário bonito, e a gente não paga pra olhar.

Vimos a tartaruguinha solitária, e a lembrança de Procurando Nemo foi inescapável. Vimos os peixinhos beijadores, e saímos imitando.

Almoçamos surubim frito (ele, bem mais que eu :D ). Voltamos andando de novo pelo Largo São Sebastião, a chuva ainda caindo. Olhei pras pedras, comecei a sapatear e cantar e ele me acompanhou:

"I'm singin' in the rain
Just singin' in the rain

WHAT A GLORIOUS FEELING
I'm happy again..."

E ele:
- É, cara, I'm happy again...

A tarde foi nossa.

Quando me despedi dele, na parada de ônibus, fiquei sorridente e pensativa.
Era a primeira vez que cada um ia pra sua casa, dizendo: amanhã te vejo de novo...


Menina Prodígio se aventurou aqui às 4:54 PM


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14.4.06

Namorada blogueira descarrega as tensões no blog

Bem, eu já li jornal, já copiei umas fotos bonitas pro meu hd, já pendurei na cabide a roupa que vou usar quando encontrá-lo amanhã, já comi pão.

Pra vocês verem a que ponto a coisa chegou, eu abri o meu orkut. E vi que tinha mais de trinta e cinco pessoas com o convite preu ser amiga delas quase expirando... Tenho de abrir mais aquele site azul.

Vou deitar [o que, definitivamente, não significa dormir].

Ele entrou no MSN. Estava em casa, não foi pro aeroporto exageradamente cedo, como eu achei. Ainda bem, ele precisa estar descansado pra quando...bem, precisa estar descansado.

Ele chega daqui a TRÊS HORAS.

Nenhum dos meus contatos no msn está on-line.

Eu vou sair mais madura ou mais maluca dessa Páscoa, ah, vou.

Aliás: Feliz Sexta-Feira da PAIXÃO pra todos.

A minha vai ser feliz, feliz, feliz.

P.S.: POETA, você é um fofolindo.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 3:42 AM


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Eu sabia que isso ia acontecer

O vôo dele chega às sete.
Nós nos veremos apenas meio-dia.

São duas da manhã, e eu não consigo dormir.

Já conversei com ela no msn.

Já postei no Morango, no Sotaques e aqui.

Já li todos os meus e-mails.

Já fiz buscas malucas no Google.

E tudo o que eu estou esperando é que ele entre na internet lá do aeroporto, onde ele também vai passar a noite acordado.

Eu não existo.

Se preparem. Daqui a vinte minutos eu vou postar de novo, dizendo que não adianta tomar leite quente.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 1:47 AM


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13.4.06

Agoniada, eu??

À noite vai ter Lua Cheia
Tudo pode acontecer...
À noite vai ter Lua Cheia
QUEM EU AMO vem me ver...


Menina Prodígio se aventurou aqui às 11:58 PM


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8.4.06

Tic-tac

O meu namorado chega na Sexta-feira da paixão.

O Meu namorado, que eu não vejo ao vivo desde dezembro.

O MEU NAMORADO.

Ele.

Tic-tac, tic-tac.

Saudade se recusa a ir embora.

Na quarta-feira faltavam nove dias. E o dia passou depressa.

Na quinta, faltavam oito dias. E o dia passou devagar.

Na sexta, uma semana. E o dia se recusava a acabar.

Acabou há quarenta minutos. Faltam SEIS dias.

Tic-tac, tic-tac.

MEU DEUS, CHEGA O NATAL E ESSA SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO NÃO CHEGA!

************

Eu olho pra Lua, e imploro pra que ela fique Cheia rapidinho. Ela não me escuta, e cresce tão lentamente....Hoje, está 50% iluminada.

Lua, te quero 120%.

Ponteiro, não me maltrata.
Sol, corre só um pouquinho.
PASSA, tempo. Passa.

*************

Mas passa rápido só antes da sexta, vai?

Depois da Sexta, será que você podia parar pra sempre?
E não deixar chegar a hora do avião dele decolar pra longe?


Menina Prodígio se aventurou aqui às 12:35 AM


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3.4.06

Brasília: as dores musculares, a coca de três litros e a câmera de segurança

Pagamos o hotel, compramos mais uma fatia de bolo na padaria, rimos muito da cara do dono se perguntando de onde nos conhecia.

Começamos a refazer o caminho para pegar o ônibus, e uma senhora veio na nossa direção. Pensei: "pronto, Brasília tem velhinhas jiu-jiteiras ladras de casais..."

Velhinha - Onde fica Snevels Snevelóide?
Artista - eu não sei, eu sou de Belém!
Menin@ - e eu sou de Manaus!
Velhinha (sem entender) - Mas onde fica?
Artista - não sei, nem ela!
Menin@ - A GENTE NÃO SABE! AEWWWWWWWWW!

(Casal se abraçando e rodando no meio da rua. )

Longa caminhada até a parada de ônibus.

Menin@ - Ai.
Artista - Ai.
Menin@ - Minha coxaaaaaaaaa....meu joelhoooooo....
Artista - meu braço....
Menin@ - ai...
Artista - Ai...

Nuvenzinha cinza no céu.

Artista - Tomara que chova...
Menin@ - Por quê??
Artista - eu tenho uma superstição, já te contei em Belém. Quando eu tomo chuva com alguém, é sinal de que eu ou ser amigo dessa pessoa durante muito tempo...
Menin@ - Em Belém não pegamos chuva...
Artista - E Belém é a terra da chuva.
Menin@ - Em Brasília não chove nunca...
Artista - E o que é isso caindo do céu?

(...)

Menin@ - É água...

Ele sorriu, ai ai ai, e o meu medo de ficar gripada se rendeu.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 11:56 PM


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2.4.06

Brasília - o avião, a padaria e a banheira - Parte última

Entramos no quarto.

A primeira coisa que eu vi foi uma saleta. Com mesa e cadeiras (QUATRO CADEIRAS, coisa rara em hotel). Um sofá cinza de dois lugares.

Eu - Mas olha, que bacana, tem sala de estar!

Entramos no quarto em si, e que surpresa boa! Poderia ser o quarto da casa de qualquer um: um armário no canto, uma cama normal, com cabeceira e tudo. E, ao mesmo tempo, era um ambiente irreal, com cortinas vermelhas filtrando a luz do sol e uma parede inteira recoberta por espelhos. [Gooooood idea!]

Me senti aconchegada. Coloquei o saco de papel com as fatias de bolo de cenoura no criado-mudo, andei até a janela pra ver lá fora.Céu azul. Liguei o ar-condicionado e fechei as cortinas, e o quarto ficou todo iluminado de vermelho.

Estava encantada por ter achado um lugar tão bom (estava preparada pra um pulgueiro), e escutei a voz dele, empolgadíssimo:

- Não acredito! Não acredito!
- Quê?
- TEMOS BANHEIRA!
- Nãão...

Fui ver com meus próprios olhos. E quase caio pra trás: o lugar era espaçoso, claro, bonito e realmente TINHA UMA BANHEIRA.

- Menino, que lugar é esse?!
- Até onde eu sei, Brasília.
- Artista, a gente tá em Brasília! - eu sentei na cama e sacudi a cabeça, querendo ver se o sonho ia se desfazer.- Tem noção disso? A gente passou por uma crise, quase desistiu um do outro, decidimos continuar tentando, e estamos aqui. No Reveillon, a gente estava se revendo e averiguando se gostava mesmo um do outro; e agora, nós sabemos que gostamos, e estamos lutando contra a solidão e a saudade...E eu estou me sentindo tão absurdamente feliz que simplesmente nao sei o que dizer.
- Quieta, então...

******

Quietinha, ele mandou.

Quem disse que eu sou obediente?

******

- Ai...
- Que foi?
- Acho que machuquei o pulso...
- Querida, se você esmurrasse menos a parede, não estaria doendo.
- ...
- ?
- Acho que dá pra esmurrar com o outro lado.

******

Inesquecível: ver um homem abrindo devagar um sorriso - e saber que é por sua causa.

******

- huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum...fiquei cansada.
- Não, não, não levanta não, fica aqui comigo.
- Menino, que é isso? Quantos braços você tem, homem-polvo?
- Não sou homem-polvo.
- É sim, o polvo é que envolve a pobre vítima com os braços e e a puxa para perto de si.
- Admite que você gosta das minhas polvices.
- Adoro. Pode ter quantos braços quiser, homem polvo. E continua me puxando pra pertinho.
- ♪♫ Homem- Polvo, Homem-Polvo!
NHÁ NHÁ NHÁ NHÁ NHÁ, NHÁ-NHÁ!♫♪
- Hahahahahahahahahha!
- Viu? Já tem até tema de abertura.
- É um talento. Deixa a Disney te descobrir.
- hehehe.
- Melhor, me deixa te descobrir.
- Pode ser agora?
- Deve...

************

- Positivamente, eu sou o homem mais feliz de Brasília. De Belém. De Manaus. Do mundo. Eu sou o homem mais feliz do mundo!
- Nós somos o paradoxo da Geografia. Saí de Manaus, você de Belém, nos conhecemos em Cuiabá, estamos nos revendo em Brasília.
- Sabe aquele e-mail que te mandei sobre os ônibus espaciais?
- O que tem?
- É de lá que nós somos. Nós não estamos em Brasília, estamos a 300 km do chão.
- Eu sou a mulher mais feliz da estratosfera!
- Vem aqui comigo então, mulher feliz.
- Ô, Homem-Polvo...

*************

- Artista, que legal!
- O quê?
- Nós somos dois escandalosos.
- Menininha, eu só sou escandaloso quando foi MUITO BOM.
- E foi?
- O quê?! Quer que eu dê outro escândalo?
- ...bem...
- Tá, já entendi...

*************

- Pega ali aquele saco de papel?
- Por quê? O que tem nele?
- O bolo de cenoura que eu comprei...

[Ele pega uma fatia e me oferece]

- Delícia, né? Adorei a casquinha de chocolate.
- Muito gostoso, e muito barato. Morde aqui.
- Xabe que eu nãof tô fentindo falta de almofar?
- Nhem eu. [rindo] Afo que só confeguimos fentir um tipo de fome de cada vez. Pega mais um pouco...

[eu achei que era pra terminar com a fatia. Ele protestou.]

- EEEEEEEEEIIIIIII, que é isso? Não é pra levar o meu dedo junto!
- ? ?? ??? Não era pra pegar tudo?
- NÃO, fominha. Credo, um, dois, três, quatro, cinco...Ufa, fiquei com medo de você, menina-canibal.
- Eu nem mordi...
- Não? Parecia o TUBARÃO - tam-dam, tã-dam, tã-dam.... A mulher tubarão está me atacando!
- E o que você vai fazer com relação a isso?
- VOU DEVOLVÊ-LA PRA ÁGUA!
- Ecossistema aquático tem polvo e tubarão?
- TEM!
***********

- Que horas chegamos aqui?
- Acho que às onze.
- Tá acontecendo algum milagre. Ainda são meio-dia e meia.
- Milagre maior é uma mulher emitir luz própria.
- Ah...É o sol que reflete em mim, porque eu sou muito branca.
- Deixa eu viver sob a sua luz?

*************

O sol do início da tarde batia em cheio sobre a água, e nós olhávamos as ondinhas refetidas no teto.

- Artista?
- Diz.
- Você já sentiu isso?
- O quê?
- Viver um momento MUITO feliz, talvez o melhor da sua vida, e ter plena consciência de que está vivendo um dos momentos mais felizes e especiais da sua vida? Estou sentindo isso agora.
- Eu estou sentindo o seu abraço iluminado pelo sol de Brasília. E nada que eu tenha vivido até aqui me fez sentir essa felicidade absoluta, completa, que eu estou sentindo. Nenhuma coisa linda que eu tenha visto pode ser mais linda que a sua pele refletindo a luz do sol e iluminando as paredes. Você parece uma visão, uma náiade, um pedaço de luar. E eu não consigo imaginar outro lugar pra estar que não o seu abraço, feito de luz, amor e água.
- Nunca fui tão feliz. Nunca tive tanta consciência disso.

******

- Olha o nosso abraço no espelho.
- Bonito, né?
- Quem, eu?
- Também. Mas eu tava falando do abraço.
- O abraço é bonito por sua causa.
- Que nada, eu me olhei no espelho enquanto você tomava banho.
- E o que viu?
- Uma moça que só fica bonita quando te abraça assim, pertinho...

*******

- Te amo.
- Te amo.

*******

*triiim, triiiiiiiiim*

- Alô? Já são uma e meia da tarde? A gente pediu pra você avisar, né...Obrigado, amigo.
- Vamos voltar pra UNB, Menino-Físico?
- ....Vamos voltar pra Brasília, porque neste tempo todo eu sei que a gente esteve em algum lugar muito longe.
- Importante é que estivemos juntos.
- E vamos ficar assim pra sempre?
- ...
- Tá, eu não devia falar nisso agora.

*********

Vestidos, abrimos as cortinas vermelhas. Brasília estava lá fora, o céu de um tom azul-brasília. Ele se apoiou na sacada. Eu bati uma foto dele, assim: o céu de Brasília, a sacada, a expressão mais misturada de alegria e melancolia que eu já vi. E o meu coração gritou de desespero, de vontade de ficar dentro daquele quarto até que o mundo acabasse, de fechar novamente as cortinas e nunca mais voltar pra Brasília, Manaus, Belém ou qualquer outro lugar em que as pessoas que se amam tivessem de desfazer um abraço.

Mas, embora meu coração gritasse, eu sorria. Pois eu sabia que ainda viriam muitas viagens de avião, muitos telefonemas, e eu adivinhei as bananas fritas, as ladeiras, os beijos de madrugada na sala da minha casa em Manaus, adivinhei o jardim e os pares de olhinhos castanhos, os livros lidos a duas vozes, as músicas que contariam a nossa história, adivinhei os risos e mais lágrimas, e entendi que quem não assume a própria vida sobre o solo não merece viver um amor de estratosfera.

Sorri, peguei na mão dele, desliguei o ar-condicionado e tranquei a porta.

Iniciamos o caminho para a UNB. Deveríamos estar lá às 14h. Olhei no relógio dele: 14:05.

**************

Continua...

Viram só? Acabou a parte do avião, padaria e banheira. Agora vem a parte das dores musculares, a Coca-Cola de três litros e a câmera de vigilância!


Menina Prodígio se aventurou aqui às 10:52 PM


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Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

Todo dia uma aventura nova. Toda semana uma odisséia. De vez em quando uma atualização


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Fonte: Anvörg


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