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19.7.06

O título não entra na contagem

Hoje, eu queria escrever setecentas e trinta palavras deslumbrantes.
Queria escrever o melhor texto da minha vida.

Eu queria ter o talento de 730 Quintanas.

Eu queria escrever um poema que mudasse a humanidade. Que durasse pra sempre, e inventasse um sentimento novo. Que os séculos passassem, e ninguém lembrasse de mim ou do poema, mas que ele permanecesse como o eco de setecentos e trinta corações batendo.

Eu queria ter dinheiro pra comprar setecentas e trinta lírios, e queria carregar todos em uma mochila e entregá-los pessoalmente.

Hoje, eu queria gozar setecentas e trinta vezes. Dar setecentas e trinta risadas.

Hoje eu queria que o dia tivesse setecentas e trinta horas.

Queria ver setecentos e trinta pôres-do-sol.

Queria conhecer setecentas e trinta cidades diferentes; queria bater setecentas e trinta fotos.
Hoje eu queria renascer setecentas e trinta vezes.

Eu queria beber setecentos e trinta copos de suco de laranja. Conversar sobre setecentas e trinta coisas. Enxergar as setecentas e trinta verdades e inventar setecentas e trinta piadas.

Eu queria ler setecentos e trinta livros perfeitos. Assistir setecentos e trinta filmes.

Hoje eu queria ser setecentos e trinta segundos em que eu pensasse que o mundo está perfeito do jeito que está.
Hoje eu queria descascar setecentos e trinta tucumãs.

Esta noite eu queria ser setecentas e trinta pra você. Queria atravessar o céu refulgindo como setecentos e trinta diamantes, roubar setecentas e trinta estrelas e jogá-las aos teus pés.

Esta noite, eu queria setecentos e trinta abraços, setecentos e trinta sorrisos, setecentas e trinta sensações.

E eu deitaria ao seu lado ao ar livre, e nós contaríamos setecentas e trinta estrelas.
E cantaríamos setecentas e trinta músicas.
E inventaríamos setecentas e trinta coreografias.

E o mundo teria respeito e ia girar setecentas e trinta vezes mais devagar.

Hoje eu queria que setecentas e trinta grandes idéias acontecessem. E que essas idéias fossem tão boas, que o inventor se perguntasse: “Como ninguém pensou isso antes?”

E que setecentos e trinta escritores tivessem seus livros publicados, e que fossem livros muito bons, que fizessem a Humanidade dar uns setecentos e trinta passos adiante.

Setecentas e trinta pessoas descobrindo como é que se faz pra ser feliz, e contando a fórmula pra mais setecentas e trinta.

Setecentos e trinta instrumentos musicais soando a primeira nota.

Setecentas e trinta espécies saindo da lista dos ameaçados de extinção.

Hoje eu queria escrever uma carta de setecentas e trinta páginas. Pendurar no céu da Guanabara setecentos e trinta cartazes.

Hoje eu queria que setecentas e trinta crianças tivessem um sonho realizado.

Queria que setecentos e trinta casais distantes se abraçassem.

Hoje eu queria que setecentas e trinta pessoas se cansassem de errar e decidissem esquecer os erros, e que elas cometessem setecentos e trinta acertos.

Setecentos e trinta problemas resolvidos.

Setecentos e trinta pedidos de desculpas aceitos.

Eu queria que, quando eu escrevesse o meu texto, se materializassem setecentas e trinta coisas belas.
Que setecentas e trinta pessoas rissem até doer a barriga, e outras setecentas e trinta chorassem até sentir como se setecentos e trinta quilos tivessem saído das costas.

Queria escutar setecentas e trinta crianças cantando músicas de Natal.

Aliás, hoje eu queria enfeitar setecentas e trinta árvores de Natal.

Eu queria que setecentas e trinta pessoas que estivessem doentes ficassem boas. Que setecentos e trinta homens sérios tirassem a gravata. Que setecentas crianças aprendessem a ler exatamente hoje. Que setecentos e trinta sapatos apertados fossem tirados de setecentos e trinta pés doloridos.

Eu queria setecentas e trinta alegrias pequeninas.

Hoje eu queria que setecentas e trinta platéias aplaudissem de pé.

Setecentas e trinta nuvens de chuva no céu.

Setecentas e trinta frutas maduras comidas no pé.

Setecentas e trinta fomes saciadas.

Setecentas e trinta pessoas descobrindo-se apaixonadas.

Setecentos e trinta gritos de gol.

Setecentos e trinta gemidos de prazer.

Setecentas e trinta razões de viver.


Eu queria escrever um texto setecentas e trinta vezes melhor do que o meu melhor texto. Mas acho que só vou conseguir escrever esse aqui.

Dois anos. Setecentos e trinta dias. Um amor que aprendeu a morrer e renascer transformado, setecentas e trinta vezes. Que me fez chorar muito mais que setecentas e trinta lágrimas, e que vem me fazendo 730 vezes mais feliz do que eu era quando pisei em Cuiabá e senti aquele vento frio de treze graus.


Querido,parabéns pra mim e pra você.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 9:11 AM


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Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

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Fonte: Anvörg


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