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2.8.06

Assumida

Eu não gosto de novela. Eu não gosto muito nem de televisão. Sempre gostei de rádio, e agora então que eu descobri uma rádio que tem comerciais mínimos, adoro mais ainda.


Mas eu simplesmente sou VIDRADA em novela do Manoel Carlos. E simplesmente não entendo porque imensa parte da blogosfera abomina, detesta, acha o fim, acha issos e aquilos de ruim.

Eu adoro. Adoro. Adoro mesmo. Acho os diálogos pessoais, humanos (um pouco teatralizados, mas pelo amor de deus, é uma novela). No primeiro ou segundo capítulo, lembro da Regina Duarte comentando como tinha sido difícil ver que o marido tinha uma amante mais velha, da idade dela, e não uma garotinha qualquer. Mamãe virou pra mim e perguntou: "Lembra do que eu dizia sobre aquela fulaninha que o teu pai se enrabichou uma época?" E era exatamente isso que a mamãe dizia, que uma das piores coisas era que a mulher era MAIS VELHA, mais feia e menos elegante do que a mamãe. Eu tinha onze anos, lembro bem.
E é gostoso ver que o cara que escreve a novela entende isso.

Gosto de ver a Ana Paula Arósio sendo descabelada. Aliás, gostei mais ainda do dia em que eu acordei, não tive tempo de lavar o cabelo, e saí com o bichinho na rua do jeito que tinha acordado, preso apenas por uma piranha subnutrida. O vento de ônibus fez sua parte magistralmente, e eu cheguei no trabalho, digamos, como a cama-leoa. Ao invés de me achar ridícula, ou de ficar passando a mão no maldito cabelo, escutei o comentário (feito por mulher, LÓGICO, que homem não vê certas coisas): Olha, tu tá que nem a Ana Paula Arósio.

Lógico que eu estava descabelada, com cachos indecisos apontando para vários pontos cardeais. Que nem a Ana Paula Arósio, ué! Super na moda. Mudança de atitude é isso aí.

Gosto de ver que nas novelas dele, a maior parte das cenas são diálogos. Apenas diálogos. Uma briga inflamada ali, uma grávida se jogando no rio ali, um médico (cujo único exame é esticar a pálpebra de criancinhas na África) mais adiante, mas o resto são apenas diálogos. E se você parar pra pensar, a sua vida é isso. Sua vida social são diálogos, com pessoas do trabalho, família, círculos em geral. A outra parte da sua vida é o seu diálogo interno, mas como mostrar isso numa novela? Então, a gente tenta adivinhar o diálogo interno das personagens ouvindo a trilha sonora, normalmente cheia de bossa nova. Só por isso já vale a pena ligar a tv! Além de bossa nova, tem uns pops. E não sei se Tati-quebra barraco teria lugar numa trilha de Manoel Carlos.

[Aliás, eu quero o cd da trilha e meu aniversário é DOMINGO, quem se habilita?Aceito como Natal adiantado também. OU dia do amigo atrasado.Ou presente de terça feira, sei lá. ]

Outra coisa que eu gosto: imagens do Rio. Não dá, cara, não dá, o Rio de Janeiro É LINDO DEMAIS, mesmo com problemas e poluição e violência. Poluição, violência e problemas Manaus também tem, mas Pão-de-Açúcar não, pô! Mostrem mais Pão-de-Açúcar! Menos poluição e violência, que isso eu vejo sem precisar da TV!

Mais pessoas correndo na praia! Mais almoços cheios de pratos de salada! Mais jarras de suco de fruta! Eu almoço bolacha com toddinho pra economizar dinheiro, e janto o que sobra do almoço da mamãe no trabalho, mas deixa a minha vizinha ter uma chance de dizer: "Olha filho, como o menino da novela toma suco, e não coca-cola." E as jarras de suco são tão cênicas...

Outra coisa que eu ADORO nas novelas do Manoel Carlos - cenas de romance. O cara é FERA em escrever diálogos apaixonados, em CONSTRUIR uma relação entre dois personagens. Lembro do Cláudio e da Edwiges de Mulheres apaixonadas. Durante a fase de paixonite dos dois, eu (com dezessete ou dezoito anos) chorava cântaros, com frases tão bonitas, cenas tão delicadas. Teve uma que até hoje não esqueço: os dois chegaram na casa dela, que era a escola, correram, riram, rolaram na grama e pularam dentro da piscina se beijando. Tudo com a Marisa Monte cantando Velha Infância ao fundo. "Eu gosto de você e gosto de ficar com você." Se apaixonar não é exatamente isso? Rir de tudo, rir de nada, se identificar com músicas de sonoridade agradável e letra tola, rolar na grama e se beijar dentro da água?
Pra mim é!

A naturalidade de algumas cenas chega a ser ingênua. Novamente pegando Mulheres Apaixonadas: lembram do casal de adolescentes lésbicas? Claro que lembram, claro que lembram. Foi quando Alinne Bocão Moraes surgiu, linda, loira e bocuda. E eu não esqueço da cena em que ela e a namorada estavam conversando. No banheiro. Aline Moraes de calcinha no joelho, sentada no vaso, e a namorada encostada na pia. E no final da cena ela puxava a descarga e lavava as mãos.

E outra: a evolução da novela. Quem disse que novela tem que ter enredo definido desde o começo? Tendo uma boa linha dramática, dá pra nove ou dez meses de história. E nas novelas dele, os casais se trocam, às vezes o casal que parecia que ia viver feliz pra sempre não fica junto, em algumas semanas alguns personagens chamam a atenção, no mês seguinte o foco é no problemático, e mais pro finzinho alguns conflitos muito sérios acontecem. Tem vezes que as Helenas ficam em segundo ou terceiro plano.

Vai me dizer que sua vida não é EXATAMENTE assim?

P.S.: Tem uma coisa que eu não gosto no Manoel Carlos. Ele é a única pessoa do Brasil que acha o José Mayer com jeito pra galã, sedutor, conquistador. Eu ABOMINO o José Mayer. Ele é péssimo ator, sempre fazendo aquele papel de...José Mayer. E o Manoel Carlos coloca ele como pegador, toscão, irresistível. Só em novela do Maneco mesmo...


Menina Prodígio se aventurou aqui às 5:45 PM


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