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23.8.06

Chuva

Correu até chegar embaixo de uma árvore e ficou lá, molhada, a chuva
atravessando as folhas da árvore e caindo ainda mais grossa. Observou os
dois estudantes saindo da escola, a farda encharcada, os cadernos e
mochilas, as mãos dadas, os gritinhos enquanto correm juntos. "Será que
ele vai deixá-la em casa?"

O vento movimentando a água em queda, as chicotadas de chuva. O camelô
resmunga, "Não tem guarda-chuva que proteja dessa chuva horizontal que cai
nessa cidade!" Certo, ele não disse "horizontal", disse "deitada", que se
o ambulante tivesse o hábito de utilizar mais vezes a palavra
"horizontal", talvez tivesse maiores horizontes. Ou não, talvez para
utilizar a palavra "horizontal" fosse necessário antes ter os horizontes
ampliados, a noção do grande e do infinito.

A água gelada escorrendo pelas costas e pela barriga, quase um carinho,
mas como se fosse um carinho incômodo, e o pensamento que surge, "qual a
diferença de estar debaixo do chuveiro e debaixo de chuva?". As pessoas
gostam de tomar banho, a água caindo, o barulho. E no entanto, todos
correm da chuva. E o outro pensamento, "o que mais incomoda é a roupa
grudando no corpo". Ninguém entra no chuveiro de roupa, vai ver a
diferença é essa. E veio outro pensamento, "as pessoas deviam tirar a
roupa, e não correr da chuva", e ela riu sozinha de ter pensado isso.

Imaginou uma cidade cheia de pessoas tirando a roupa e andando
normalmente, talvez alguns trouxessem sabonetes para essas ocasiões, e
ninguém perderia tempo esperando a chuva passar. "Mas todo mundo teria que
ter um saco plástico pra guardar a roupa e uma toalha. E o celular, a
carteira..." Refez o quadro mental: várias pessoas nuas andando com
sacolinhas pra lá e pra cá. Riu de novo, e a água encharcando o jeans, até
a calcinha estava molhada, e isso não tinha nada de sensual, como nas
fotos da playboy. Ficou esperando a chuva passar, uma vontade secreta de
tirar a roupa, botar numa sacolinha de plástico e ir logo pra casa.


Menina Prodígio se aventurou aqui às 8:13 PM


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Este é o blog de alguém que tem vinte e um anos, gosta de ler, gosta de que sua vida seja um livro aberto e gosta de gostar. E falta um ano pra receber um canudo.

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Fonte: Anvörg


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